Diretor do estaleiro prevê entregas a partir de agosto de 2027 e conta que existem outras possibilidades de obras em negociação junto ao setor naval
O estaleiro INC (Indústria Naval Catarinense), de Navegantes (SC) iniciou, na última terça-feira (15), o corte de chapa de aço da primeira unidade da encomenda de 18 empurradores da Transpetro. A cerimônia contou com a presença do presidente da estatal, Sérgio Bacci. O diretor geral da INC, Josuan Moraes Jr, afirmou que a entrega das unidades começa a partir de 2027. O contrato soma R$ 324 milhões, o que dá um fôlego para os próximos anos, mas o estaleiro já está negociando outras obras.
“Ontem demos início ao corte da primeira chapa, o que significa que cumprimos todas as etapas anteriores como aprovação de projetos junto à sociedade classificadora [Bureau Veritas], cumprimento de todos os ritos contratuais. Agora começa de fato a construção dos 18 empurradores azimutais. A primeira unidade será entregue em agosto de 2027 e a última em junho de 2028. Trata-se de um cronograma bem agressivo”, disse Moraes Jr à Portos e Navios.
A INC foi criada em 2017 e se especializou em empurradores e rebocadores para apoio portuário e marítimo. Para essa encomenda da Transpetro, o estaleiro reforçou a equipe e tem parceiros na parte de edificações, além de planos de contratação de blocos externos de empresas locais para aumentar a produtividade.
“Em 2026, entregamos duas embarcações — uma para a Internacional Marítima, do próprio grupo, e outra para a Global Maritime. E estamos construindo mais duas embarcações para serem entregues até o final do ano: duas balsas de serviços para a Seacoast. E temos contratado dois navios de 6 mil toneladas para celulose para a Aliança Navegação, com início em 2027 e entrega em dois anos. Em seguida, vamos focar quase que exclusivamente na encomenda da Transpetro até o final do próximo ano, quando nossa curva começa a baixar a produção. E, em dezembro de 2027, começaremos novas construções”, projetou o diretor da INC.
O estaleiro também é especializado em embarcações de travessias marítimas como a Rio-Niterói, Salvador-Itaparica, São Luís-Cojupe e, mais recentemente, a Aquavias, de São Paulo. “Somos o maior operador de travessias do país. O estaleiro tem nove anos, mas eu tenho 44 anos de experiência em estaleiros. A construção de 18 empurradores azimutais nos qualifica para a construção de rebocadores, que sempre foi a minha principal contribuição ao mercado”, destacou Moraes Jr.
Os projetos conceitual e básico foram contratados do Robert Allan e o projeto de detalhamento e os desenhos de construção foram elaborados pelo estaleiro. Moraes contou que tem havido bastante consulta de rebocadores portuários e empurradores fluviais que operam na navegação interior, bem como algumas embarcações de serviço de apoio marítimo.
Para o diretor da INC, o maior desafio numa encomenda desse porte é a escassez de mão de obra, que atinge todo o setor. O estaleiro tem agido em várias frentes: trazendo profissionais de outros estados, treinando mão de obra local, abrindo novas parecerias e contratando blocos e acessórios fora.








