BR Offshore espera obter todas as licenças até final deste ano e iniciar operação parcial antes da conclusão das obras, que devem durar de 24 a 26 meses.
A BR Offshore espera obter, até o final de 2026, todas as licenças necessárias para iniciar efetivamente as obras do projeto Barra do Furado, que prevê uma base offshore e para reciclagem de embarcações, no norte fluminense. A empresa prevê cerca de dois anos de obras para concluir o empreendimento, que deverá iniciar a operação parcial antes desse prazo. O diretor da empresa, Ricardo Vianna, disse à Portos e Navios que a BR Offshore está finalizando o licenciamento ambiental e fazendo a sondagem e toda a parte sísmica do canal de acesso. O projeto executivo de engenharia já foi completado.
O complexo logístico e industrial Farol/Barra do Furado está localizado entre as cidades de Campos dos Goytacazes e Quissamã, no norte do estado do Rio de Janeiro. O escopo prevê cerca de 1 milhão de metros quadrados e mais de 900 metros de cais, a serem prospectados para reciclagem de embarcações e também para demandas de projetos de exploração de energia eólica em alto-mar. A pedra fundamental do empreendimento foi lançada em março de 2026. Os investimentos são da ordem de R$ 800 milhões
“Acreditamos que, até o final do ano, tenhamos todas as licenças para efetivamente começarmos as obras. Já temos um cronograma de 24 a 26 meses de obra para completar todo o empreendimento, mas provavelmente a gente consiga já começar algumas operações com parte do empreendimento ainda em construção”, detalhou Vianna.
Ele lembrou que, no painel sobre descomissionamento da Navalshore 2026, no final de agosto, as apresentações confirmaram que o mercado é extremamente ofertante e que existe uma demanda mundial para reciclagem de embarcações de grande porte. “A gente não está olhando só o mercado brasileiro, também estamos olhando o mercado internacional. Estamos em conversas com alguns armadores de embarcações de grande porte para que, efetivamente, a gente consiga trazer para o Brasil parte dessas embarcações que vão ser recicladas nos próximos anos”, afirmou.
Vianna considera importante o Brasil aderir à Convenção de Hong Kong (HKC), porque isso abrirá uma oportunidade gigantesca, que é até difícil de ser mensurada. “No Brasil, a gente tem, pelo menos, três projetos de instalações de reciclagem de embarcações sendo desenvolvidos, mas não é nem suficiente para tratar tudo aquilo que a gente tem aqui no Brasil”, analisou.
A avaliação da BR Offshore é que esse é um mercado novo e que a entrada em vigor da Convenção de Hong Kong, em meados de 2025, passou a exigir que as grandes empresas façam a reciclagem ambientalmente segura para os seus trabalhadores. Para a empresa, isso fecha uma um canal de escoamento dessas embarcações que era direcionado principalmente para o mercado do sudeste asiático.
Vianna observa que houve, durante cinco anos, um movimento para extensão de vida das embarcações, que gerou envelhecimento da frota, sem que tivesse havido uma mudança de legislação. Agora, ele identifica a necessidade de criação de infraestrutura não só no Brasil, como em todos os países que já são signatários da Hong Kong Convention.
Para o diretor da BR Offshore, o mercado já deu demonstrações de que, se a instalação estivesse pronta hoje, já estaria sendo demandada e ocupada. Ele observa que existe uma perspectiva de nova janela para 2029 nos estaleiros no exterior e que existe um número de unidades que já poderiam estar sendo recicladas, se houvesse uma instalação desse tipo no Brasil hoje. “Estamos trabalhando para acelerar os processos, mas na construção de uma instalação desse porte, a gente consegue ganhar poucos meses para fazer parte do serviço. Antes de 24 meses a gente consegue estar pronto, mas demanda existe”, ressaltou Vianna.








