E mira novos contratos com mais de 20 plataformas previstas até por volta de 2031 e uma frota nacional de 475 embarcações de apoio.
Com previsão de mais de 20 plataformas até por volta de 2031, o Rio reúne 24 estaleiros e disputa encomendas, reparos e serviços offshore. Contratos já alcançam módulos em Angra e manutenção de turbinas em Petrópolis.
A previsão de mais de 20 novas plataformas até por volta de 2031 abre uma disputa por encomendas e serviços na indústria naval do Rio de Janeiro. Enquanto novos projetos de petróleo e gás avançam, empresas fluminenses também buscam contratos para reparar, manter e abastecer as unidades que já operam no mar.
A estimativa foi apresentada pelo presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, no lançamento da sétima edição do Panorama Naval do Rio de Janeiro, durante a Navalshore, em agosto de 2026. A carteira das operadoras reúne projetos em diferentes estágios: parte já movimenta contratos na indústria nacional, enquanto outras unidades ainda passam por licitação.
Rio reúne 24 dos 49 estaleiros do país e 66 mil empregos ligados à atividade naval
O levantamento da Firjan coloca o estado na liderança nacional, com 24 dos 49 estaleiros brasileiros e 66 mil dos 181 mil empregos relacionados às atividades navais. O indicador de emprego considera o conjunto dessas atividades, incluindo a cadeia que atende às operações marítimas.
A federação também mapeou mais de 2 mil fornecedores de bens e serviços ligados à cadeia naval. Segundo a publicação, o Rio concentra 82% das plataformas marítimas em operação no Brasil, com demanda para grandes instalações industriais, fabricantes de equipamentos e prestadores de serviços especializados.
77 plataformas e 475 embarcações de apoio precisam de reparos e manutenção
Na costa brasileira, o panorama contabiliza aproximadamente 170 unidades de produção instaladas, das quais 77 estavam em operação, além de cerca de 475 embarcações de apoio marítimo. O Rio funciona como um dos principais polos de atendimento a esse mercado nacional.
Para os fornecedores, a frota existente oferece serviços que podem ser contratados antes da chegada das novas plataformas. A Firjan identifica reparos e manutenção como um mercado consolidado para os estaleiros e demais empresas da cadeia fluminense.
P-80 saiu de Singapura com módulos fabricados em Angra dos Reis
Em 30 de setembro de 2026, a plataforma P-80 iniciou a viagem de Singapura ao Brasil, com destino ao campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. Parte da estrutura que seguirá para o campo passou por um estaleiro fluminense antes da montagem final na Ásia.
Os módulos de processo da P-80 foram fabricados no Seatrium BrasFELS, em Angra dos Reis. No caso da P-82, os módulos brasileiros vieram do Seatrium Aracruz, no Espírito Santo. A construção envolveu também instalações na China, em Singapura e na Indonésia, com a conclusão das obras em território singapuriano.
A P-80 tem capacidade para produzir 225 mil barris de petróleo e processar 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Sua entrada em produção está prevista para 2027, assim como a da P-82. A participação de estaleiros brasileiros inclui a fabricação de módulos que serão integrados às unidades no exterior.

P-80 deixou Singapura rumo a Búzios em setembro de 2026; a unidade recebeu módulos fabricados no Brasil. Foto: Divulgação Petrobras.
Petrópolis atende contrato de cinco anos para até 64 turbinas da Petrobras
Os serviços alcançam também fábricas e oficinas longe do litoral. Em março, a Baker Hughes anunciou um acordo de 60 meses com a Petrobras para manutenção, reparos e assessoria de engenharia em até 64 turbinas a gás. O atendimento começou em fevereiro de 2026.
Os equipamentos atendem aproximadamente 19 navios-plataforma do tipo FPSO e a Refinaria de Paulínia, a Replan, em São Paulo. FPSOs são unidades flutuantes que produzem, armazenam e transferem petróleo. O contrato será executado pelo centro de serviços da Baker Hughes em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.
Inaugurada em 2010 para atender a Petrobras, a unidade realiza desmontagem e montagem de equipamentos. A companhia anunciou planos de ampliar sua capacidade e incorporar recursos avançados de retífica, utilizados no acabamento de precisão de peças. A estrutura local atenderá equipamentos empregados tanto no offshore quanto no refino.
Quatro navios de apoio submarino têm contratos que somam R$ 11 bilhões
Outros polos navais também receberam encomendas. Em maio de 2026, a Petrobras assinou oito contratos, no total de R$ 11 bilhões, com a DOF Subsea. O pacote cobre construção, afretamento e serviços de quatro embarcações destinadas à inspeção, manutenção e reparo submarino.
As unidades serão construídas no Navship, em Navegantes, Santa Catarina. A previsão divulgada pela estatal é de até 80% de conteúdo local na construção e aproximadamente 90% durante a operação. As embarcações atenderão atividades em águas profundas e ultraprofundas.
A Petrobras estima cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos ao longo da construção e da operação. Os novos navios terão propulsão híbrida, combinando baterias, motores elétricos e combustíveis de menor impacto ambiental, segundo a companhia.

Assinatura dos contratos entre Petrobras e DOF, em 14 de maio de 2026. O pacote de R$ 11 bilhões inclui construção, afretamento e serviços de quatro embarcações. Foto: Eduardo Gaspar / Agência Petrobras.
Baía de Guanabara foi escolhida para apoiar projetos de Búzios e Atapu
Na contribuição ao Panorama Naval 2026, a Allseas informa ter escolhido a Baía de Guanabara como base logística para os contratos de Búzios 10 e Atapu 2. A proximidade dos campos reduz trajetos de navegação e consumo de combustível, segundo a empresa.
O trabalho depende de embarcações que transportam combustível, tubos, equipamentos e outros insumos, além de bases portuárias para armazenamento e montagem de estruturas. Estaleiros e diques atendem à manutenção dos navios. O apoio em terra acompanha, assim, a instalação da infraestrutura submarina.
Instalações ociosas terão de disputar contratos com tecnologia e serviços especializados
O capítulo do Ministério de Portos e Aeroportos no estudo estima capacidade nacional para aproximadamente 554 entregas anuais, somando construção, reparos, docagens, módulos e descomissionamento. A demanda observada ficou abaixo dessa capacidade nos últimos anos, mantendo parte das instalações ociosa.
Para a diretora-geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo, Marta Lahtermaher, as encomendas devem estimular fornecedores de engenharia, equipamentos, automação e tecnologia. Esses segmentos concentram grande parte do valor agregado da construção naval, conforme a avaliação apresentada pela executiva.
“O Brasil precisa substituir uma política baseada em ciclos de encomendas por uma estratégia de desenvolvimento industrial de longo prazo”, afirmou. Entre as prioridades apontadas estão digitalização, novos processos produtivos e descarbonização, para que as empresas mantenham capacidade competitiva depois do encerramento da carteira atual.
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