Batimento de quilha da Fragata ‘Mariz e Barros’ em Itajaí (SC)

  • 17/08/2026

Quarto navio do Programa Fragatas Classe “Tamandaré” tem lançamento ao mar previsto para 2027

O programa Fragatas Classe “Tamandaré” alcançou, nesta quinta-feira (13), um novo marco. O batimento de quilha do quarto navio: a Fragata “Mariz e Barros” (F203), última embarcação do primeiro lote previsto de Fragatas construídas no Brasil a serem entregues à Marinha do Brasil (MB) até 2029. O batimento de quilha representa o início da montagem estrutural da embarcação.

O batimento de quilha ocupa um lugar especial na tradição naval. Ele marca o instante em que uma decisão estratégica deixa de existir apenas nos planos e começa a ganhar forma em aço, tecnologia e trabalho. A Fragata ‘Mariz e Barros’, hoje, deixa de existir apenas nos projetos, para adquirir forma diante dos nossos olhos. Mais do que uma etapa construtiva, este momento representa a consolidação de um Programa estratégico para a Marinha do Brasil e para o País”, disse o Diretor-Geral do Material da Marinha, Almirante de Esquadra Edgar Luiz Siqueira Barbosa.

A quilha do navio corresponde à espinha dorsal da embarcação, por onde a construção é iniciada. Nos novos modelos de montagem, a quilha é representada pelo primeiro bloco, a partir do qual todas as outras estruturas são integradas. Na tradição naval, para marcar o batimento de quilha e o início da montagem, uma moeda comemorativa é cravada no casco do navio, como forma de trazer boa sorte e proteção para os tripulantes.

Dois colaboradores do estaleiro representaram a força de trabalho ao posicionarem a moeda comemorativa na quilha do navio. Um deles foi o Gerente Sênior de Produção da TKMS Brasil, João Aldo Hoffmann Filho. Engenheiro mecânico e tecnólogo em construção naval, ele tem mais de 15 anos de experiência na área e trabalhou com gestão de equipes multidisciplinares, planejamento estratégico e otimização de processos produtivos, além de atuar em grandes projetos da indústria naval. Na TKMS Brasil, lidera as operações de produção.

Para João Aldo, “é um orgulho muito grande fazer parte de um projeto como o das Fragatas Classe ‘Tamandaré’, que reúne alta tecnologia e representa algo único para o Brasil. Essa moeda simboliza o trabalho, a dedicação e a capacidade de cada pessoa que ajudou a transformar esse projeto em realidade”.

A outra representante dos funcionários foi a Analista de Materiais Pleno da TKMS Brasil, Jessica Vieira. Ela atualmente cursa pós-graduação em Engenharia Naval e é graduada em Comércio Exterior, com MBA em Gestão de Operações e Supply Chain. Jéssica atua na TKMS há mais de quatro anos. Iniciou sua trajetória como almoxarife e, ao longo de sua carreira, desenvolveu experiência em gestão e recebimento de materiais, análise de notas fiscais e melhoria contínua de processos. “Poder representar os colaboradores em um momento tão importante como o batimento de quilha me deixa muito feliz e honrada. E estar aqui, depois de tudo o que construí, representando meus colegas em um momento que vai ficar marcado na história da empresa, significa muito para mim”, ressaltou Jéssica. Os dois colaboradores representaram os mais de mil trabalhadores que estão envolvidos diretamente na construção das Fragatas na TKMS Estaleiro Brasil Sul.

O evento reuniu representantes da MB, da Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), da Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, da TKMS, da Embraer e da Atech. O quarto navio recebe o nome “Mariz e Barros” em homenagem ao Primeiro-Tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros, herói naval brasileiro da Guerra da Tríplice Aliança.

“O batimento de quilha da quarta fragata marca a conclusão de um ciclo fundamental do Programa Fragatas Classe ‘Tamandaré’. Ele demonstra que o Brasil estabeleceu, de fato, uma capacidade industrial para construir navios militares de alta complexidade, um legado que permanecerá muito além da entrega deste primeiro lote. Os resultados alcançados até aqui nos dão plena confiança de que o País está preparado para dar o próximo passo com a contratação de um segundo lote de quatro fragatas, assegurando a continuidade dessa capacidade estratégica”. Reforçou o CEO da TKMS Brasil, Paulo Alvarenga.

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Fragata Tamandaré F200

 

Próximas etapas do Programa

Outras três Fragatas da Classe “Tamandaré” construídas no Brasil já foram lançadas ao mar. A primeira delas, a F-200, Fragata “Tamandaré”, foi entregue à MB e já está em operação nas atividades de proteção da nossa Amazônia Azul.  A segunda fragata, F-201, “Jerônimo de Albuquerque”, iniciou seus primeiros Testes de Aceitação no Mar (Sea Acceptance Trials – SAT). A previsão é de que a Mostra de Armamento seja realizada no primeiro semestre do ano que vem. Já a terceira fragata, F-202, “Cunha Moreira”, foi lançada ao mar em junho deste ano e deverá ser entregue ao setor operativo em 2028.

Para Fernando Queiroz, CEO da Águas Azuis, “A evolução do Programa Fragatas Classe ‘Tamandaré’ demonstra a força do modelo de cooperação construído por meio da Águas Azuis. A combinação das competências da TKMS, Embraer e Atech, em estreita parceria com a Marinha do Brasil e a EMGEPRON, permitiu transformar um projeto de alta complexidade em uma execução consistente, com as quatro fragatas avançando conforme o planejado. Esse é o maior resultado dessa parceria.”

PODER NAVAL — FICHA TÉCNICA

Fragatas Classe “Tamandaré”

Fragatas multipropósito da Marinha do Brasil baseadas no conceito MEKO A-100 e construídas no País pelo Consórcio Águas Azuis

Comprimento: 107,2 m 

Deslocamento: 3.500 t

Velocidade máxima: 25,5 nós

Autonomia: 5.500 mn

Notas técnicas:
As características apresentadas representam a configuração divulgada em fontes públicas para as Fragatas Classe “Tamandaré”. Valores de deslocamento, velocidade e desempenho podem variar conforme condição de carregamento e configuração operacional.
Há divergências em fontes abertas quanto a alguns equipamentos específicos de direção de tiro e navegação. Referências brasileiras tradicionalmente associam o Thales STIR 1.2 ao projeto, enquanto publicações mais recentes também mencionam o Saab CEROS 200. Situação semelhante ocorre com os radares de navegação, para os quais aparecem referências a sistemas Raytheon e à família Anschütz NSX / SharpEye.
O projeto utiliza a filosofia modular MEKO®, permitindo maior flexibilidade para manutenção, substituição de equipamentos e futuras modernizações ao longo da vida operacional das fragatas.
Fonte: Agência Marinha de Notícias – Site Poder Naval