Navio construído no Brasil (foto de Paulo Botelho, Sinaval)

Indústria naval se recupera e começa expansão

  • 19/08/2026

Impulsionada pela Petrobras, indústria naval traça expansão com embarcações, plataformas, reparo, eólicas offshore e descomissionamento.

O mercado naval vive um cenário promissor de retomada e expansão. Apenas no âmbito do Programa Mar Aberto, da Petrobras, está prevista a construção de 96 embarcações até 2032, com investimentos estimados em R$ 32 bilhões na indústria naval brasileira. O programa contempla 40 embarcações de apoio marítimo, 20 navios de cabotagem, 18 barcaças e 18 empurradores.

Somam-se a essas oportunidades as encomendas vinculadas ao segmento offshore. A carteira de projetos das operadoras contempla cerca de 20 plataformas previstas para os próximos anos, parte delas já gerando contratos para a indústria nacional e outras ainda em fase de licitação.

O mercado de operação e manutenção também apresenta relevância. Atualmente, a costa brasileira possui cerca de 170 unidades de produção instaladas, sendo 77 em operação, além de uma frota de aproximadamente 475 embarcações de apoio marítimo. Esse cenário representa um mercado consolidado em que o Rio de Janeiro se destaca no país.

Os dados constam do Panorama Naval no Rio de Janeiro, lançado nesta terça-feira, na Navalshore, pela federação das indústrias fluminenses. O estado concentra o maior parque naval do país, reunindo 24 dos 49 estaleiros e 66 mil dos 181 mil empregos relacionados às atividades navais no Brasil. Além disso, abriga 82% das plataformas marítimas em operação no país.

A indústria naval, isoladamente, já recuperou os empregos perdidos após a crise iniciada em 2014, quando empregava 82,4 mil trabalhadores; em junho de 2026, o setor já contava com 90 mil contratados.

Novas frentes de atuação para indústria naval

Além dos mercados tradicionais, o Panorama Naval destaca novas frentes de atuação para os estaleiros brasileiros. O descomissionamento de ativos de petróleo e gás, o desmantelamento de embarcações e o desenvolvimento da cadeia de energia eólica offshore despontam como segmentos capazes de diversificar receitas, reduzir os impactos da sazonalidade das demandas por novas embarcações e ampliar a geração de emprego e renda.

Segundo estimativas da ANP, as atividades de descomissionamento deverão movimentar cerca de R$ 70,2 bilhões até 2030, contemplando operações como abandono e arrasamento de poços, retirada de equipamentos, recuperação ambiental e demais etapas inerentes ao encerramento da vida útil dos ativos.

O planejamento estratégico da Petrobras, prevê, em seu Plano de Negócios 2026–2030, investimentos totais de US$ 109 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 9,7 bilhões serão destinados às atividades de descomissionamento, consolidando este mercado como um dos eixos estratégicos de sua carteira de exploração e produção.

Quanto às eólicas offshore, cabe ressaltar a localização estratégica do Rio, com ventos fortes e constantes, proximidade com portos, estaleiros e bases de apoio logístico e pela alta demanda energética na região Sudeste.

No capítulo Cenários da Indústria, a Abeemar e o Sinaval, entidades representativas do setor, apresentam uma análise da indústria naval brasileira sob a ótica das melhores práticas internacionais, destacando a importância da previsibilidade e da política industrial.

Fonte: Monitor Mercantil – Marcos de Oliveira
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