Camorim vê demanda offshore aquecida e prepara novos investimentos em embarcações

  • 29/09/2026

A Camorim está ampliando sua atuação no setor de serviços marítimos diante de um cenário de demanda aquecida no mercado offshore e portuário.

Segundo Plínio Salles, diretor estratégico da empresa, os R$ 250 milhões já investidos neste ano fazem parte de um ciclo de expansão que contempla novos rebocadores azimutais, navios do tipo FSV e na Super Cábrea, dentro de um movimento de ampliação da capacidade operacional da companhia. A estratégia acompanha um mercado que volta a demandar novas embarcações e serviços especializados para dar suporte ao crescimento das atividades marítimas. A empresa também acompanha os possíveis desdobramentos da exploração na Margem Equatorial, que poderá exigir novas configurações de embarcações para atender às características operacionais da região.

Para começar, você poderia detalhar os R$ 250 milhões investidos este ano pela empresa, explicando onde esses recursos foram aplicados e qual o objetivo por trás desses investimentos?

Nós construímos cinco embarcações de apoio portuário. São cinco rebocadores azimutais que já estão em operação nos portos. Essas cinco embarcações foram concluídas e entregues até o final do ano passado. Trata-se de um pedido inicial de cinco unidades e, no início de 2026, assinamos um contrato com o estaleiro para a construção de mais quatro. No total, somam-se nove embarcações. O primeiro rebocador dessa segunda série de quatro ficará pronto em meados de 2027, e o último tem previsão de entrega entre agosto e setembro de 2028, concluindo assim este ciclo.

Além dos rebocadores, a Camorim tem planos para expandir outros tipos de embarcações na frota?

Sim. Recentemente, assinamos o contrato para a construção de um guindaste sobre balsa (Super Cábrea). Compramos na China um guindaste com capacidade para 750 toneladas, que já está em processo de embarque, enquanto a balsa está sendo construída na Bahia. Esse é um investimento voltado para operações de içamento de cargas.

Na área offshore, também realizamos aquisições recentes: compramos no México a embarcação Susan, do tipo Fast Supply Vessel (FSV) — um navio de apoio menor, construído em alumínio e com maior velocidade —, que já está operando no Brasil. Além disso, adquirimos o Ilha das Flechas, que possui características semelhantes de menor capacidade e alta velocidade. Nosso foco prioritário de investimento é o apoio portuário, mas estamos aproveitando as oportunidades que surgem tanto no mercado offshore quanto no setor de movimentação de cargas para obras marítimas.

Tendo em vista esse aquecimento geral da indústria naval, que outras oportunidades vocês enxergam no setor offshore?

No offshore, enxergamos boas oportunidades em embarcações de maior porte, como os PSVs (Platform Supply Vessels). Afretamos uma embarcação no exterior para operar conosco por pelo menos quatro anos — ela já está em operação para a Petrobras há mais de um ano — e estamos estudando a aquisição de mais uma embarcação no mercado internacional, embora ainda sejam planos em fase de avaliação.

Diante de todos esses investimentos e projetos, qual é a sua leitura sobre este novo momento do segmento de serviços marítimos e o que esperar para o futuro?

O mercado offshore vive um bom momento, com demanda aquecida para as embarcações que estão no país e tarifas dentro de um patamar razoável. Não vemos no horizonte fatores que possam afetar essa demanda no curto prazo. Há trabalho e necessidade de novas embarcações — tanto que existem diversas construções em andamento por outras empresas —, e acreditamos que esse mercado continuará aquecido por alguns anos.

Nesse contexto, a Margem Equatorial também entra nas avaliações da companhia?

Exato, estamos atentos a isso. Existe uma questão importante em relação à configuração das embarcações que vão operar naquela região. Inicialmente, é possível que seja necessário deslocar embarcações já existentes no Brasil, mas estamos estudando as características específicas exigidas para o médio e longo prazo. O desafio é entender o padrão necessário caso venhamos a construir novas unidades voltadas para a Margem Equatorial, considerando as particularidades de correntes, condições de mar e distâncias operacionais da região.

Para atender a essa demanda crescente, como a Camorim está lidando com a questão da mão de obra? Existe algum plano para fomentar a formação de novos profissionais para os serviços marítimos?

A obtenção de mão de obra qualificada para atuar nas embarcações é um desafio de toda a indústria com o mercado aquecido. A nossa estratégia é promover cursos internos em convênio com a Marinha para formar profissionais dentro de casa. Historicamente, incentivamos o crescimento interno: vários dos oficiais que comandam nossas embarcações hoje começaram na empresa há muitos anos e foram progredindo na carreira.

Iniciamos recentemente uma turma para o curso de moço de máquinas, que é o primeiro degrau da trajetória. Concluímos uma turma de aproximadamente 30 profissionais, que agora estão fazendo estágio em nossas embarcações, e nossa intenção é aproveitar todos eles. Em seguida, abriremos uma turma na área de náutica, seguindo a mesma filosofia de capacitar internamente os profissionais que vão tripular nossas embarcações maiores no futuro.

Fonte: Petronotícias
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