Enquanto cascos ficarão com estaleiro na China e estatal avalia medidas administrativas se não houver acordo sobre a participação brasileira na construção das plataformas.
Negociação envolve o trabalho que ficará nos estaleiros nacionais; Renata Baruzzi apresentou a cobrança durante a ROG.e, em meio à contratação de novas unidades de produção
A construção de novas plataformas colocou Petrobras e SBM Offshore diante de uma divergência: qual parte do trabalho será executada no Brasil. A estatal rejeitou a primeira proposta da fornecedora e cobra a montagem de cinco a sete módulos em território brasileiro, embora os cascos tenham fabricação prevista no estaleiro Cosco, na China.

FPSO Almirante Tamandaré, da SBM Offshore, em águas brasileiras.
Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, explicou a posição da companhia em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e 2026. Segundo a reportagem, publicada em 23 de setembro, a empresa avalia medidas administrativas caso as negociações terminem sem acordo.
A discussão tem uma consequência concreta para a indústria nacional: definir quais etapas da construção entrarão na carteira dos estaleiros brasileiros. Mesmo com os cascos encomendados no exterior, parte do trabalho pode ocorrer no país. É essa participação que a Petrobras cobra da SBM.
O que a Petrobras exige da fornecedora
A cobrança apresentada por Baruzzi envolve o cumprimento do escopo de montagem dos módulos no Brasil. A primeira proposta da SBM, conforme o relato da entrevista, não atendeu ao que a Petrobras exige.

Transporte de módulos no estaleiro Seatrium – Angra dos Reis, em Angra dos Reis, em registro apresentado pela Longitude sobre os projetos P-80 e P-83.
Por enquanto, a possibilidade de medidas administrativas faz parte da negociação. A reportagem não informa quais providências a estatal poderia tomar nem registra a aplicação de uma penalidade.
Há também uma informação ainda sem detalhamento: como os cinco a sete módulos seriam distribuídos entre as plataformas. O número divulgado, portanto, não permite concluir que essa quantidade será montada no Brasil para cada FPSO.
Novas plataformas para Sergipe estão entre os contratos com a SBM
A carteira da SBM com a Petrobras inclui duas unidades para o projeto Sergipe Águas Profundas, conhecido como SEAP. A estatal anunciou a assinatura dos contratos em 29 de maio de 2026, em comunicado oficial apresentado à SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.

Projeto Sergipe Águas Profundas prevê duas plataformas contratadas com a SBM Offshore para ampliar a produção de petróleo e gás.
Nesse caso, a SBM responde pela engenharia, construção e montagem das plataformas. Também ficará responsável pela operação e manutenção durante um período inicial de 6,5 anos. O contrato segue o modelo BOT, sigla em inglês para construir, operar e transferir.
Juntas, as duas unidades terão capacidade para produzir 240 mil barris de petróleo por dia e processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. Esses volumes indicam a capacidade prevista nos projetos, e não uma produção que já esteja disponível.
No cronograma apresentado em maio, a Petrobras previa começar a produzir petróleo com a P-87 em 2030. Para a P-81, a previsão era 2031.
A companhia informou investimentos superiores a R$ 60 bilhões nos dois empreendimentos. Esse valor cobre os projetos e não deve ser confundido com o custo dos módulos cuja montagem no Brasil está em discussão.
Brasil já participa da construção de plataformas concluídas no exterior
Outros projetos ajudam a entender como funciona essa divisão do trabalho entre países. A P-80, por exemplo, deixou Singapura em 30 de setembro de 2026 rumo ao campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, com módulos fabricados no Brasil.

P-80 deixou Singapura rumo a Búzios em setembro de 2026; a unidade recebeu módulos fabricados no Brasil.
Segundo a Petrobras, o estaleiro Seatrium BrasFELS, em Angra dos Reis, produziu módulos de processo para a unidade. No caso da P-82, parte desse trabalho coube ao Seatrium Aracruz, no Espírito Santo.
A construção também envolveu instalações na China, em Singapura e na Indonésia. Depois, os módulos seguiram para Singapura, onde ocorreram as etapas finais das obras.
P-80 e P-82 pertencem a outra contratação, diferente daquela discutida com a SBM. Ainda assim, mostram que concluir uma plataforma fora do país não impede a participação de estaleiros brasileiros em sua fabricação.
Na negociação com a SBM, falta definir como a fornecedora atenderá à exigência da Petrobras. É desse entendimento que depende a parcela da montagem dos módulos que ficará no Brasil.








