Starnav Elektra’, construído no Estaleiro Detroit (SC), foi entregue em setembro. Presidente da empresa de navegação destacou importância do marco regulatório e do modelo de sucesso para construção de novos barcos de apoio no Brasil.
O PSV híbrido Starnav Elektra, construído no Estaleiro Detroit (SC), alcançou índices de conteúdo local superiores a 65%. A embarcação foi entregue em setembro, cerca de dois anos antes do prazo contratual acordado com a Petrobras. Na ocasião, o presidente da Starnav, Carlos Eduardo Pereira, destacou que, em um setor tão complexo quanto a indústria naval, que convive diariamente com desafios de engenharia, certificação, suprimentos e integração tecnológica, antecipar uma entrega desta magnitude é uma demonstração inequívoca de competência, disciplina e comprometimento.
“Desenvolver tecnologia no Brasil é tão importante quanto construir no Brasil. É assim que fortalecemos nossa capacidade industrial, ampliamos a competitividade e criamos conhecimento que permanece no país. Um exemplo que podemos fazer bem feito e com excelentes índices de conteúdo local”, salientou Pereira, em seu discurso na cerimônia de batismo e entrega.
O executivo atribuiu a tecnologia embarcada dessa embarcação à consolidação, ao longo de décadas, a empresas sólidas, profissionais qualificados e a uma cadeia produtiva reconhecida internacionalmente. Pereira disse que os contratos de afretamento de longo prazo celebrados com a Petrobras possuem papel fundamental para proporcionar a segurança necessária para que as empresas assumam riscos, mobilizem recursos, contratem financiamentos e realizem investimentos relevantes em ativos construídos no Brasil, sendo este um modelo de sucesso aplicado ao setor de apoio marítimo por décadas.
O presidente da Starnav também chamou a atenção para a importância do marco regulatório do setor, que garante a prioridade da bandeira brasileira e o qual considera essencial para o país manter uma frota própria, disponível e competitiva.
“Os fundamentos estabelecidos na Lei 9.432/1997, através de um modelo que deve gerar competitividade justa ao mercado — mesmo que em certos momentos se tente distorcer — foram essenciais para o desenvolvimento da marinha mercante nacional até aqui e continuarão sendo importantes para garantir a previsibilidade necessária à continuidade dos investimentos”, defendeu Pereira.
“Mais do que entender as exigências atuais, esta embarcação foi concebida para atender as exigências do futuro, que já começou. As embarcações estão se transformando, as exigências ambientais estão evoluindo e a nossa infraestrutura portuária e de refino de combustíveis alternativos também precisarão se preparar para essa nova realidade operacional. A Petrobras certamente já vem avançando nesta linha em passos largos”, ressaltou Pereira.
Starnav Elektra é a primeira unidade de uma série de 10 PSVs (transporte de suprimentos) híbridos, que integram a carteira de construção do estaleiro Detroit, em Itajaí (SC). As embarcações serão incorporadas à frota da Starnav e vão operar para a Petrobras. A série está sendo construída com recursos financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Elektra recebeu financiamento da ordem de R$ 450 milhões e é a primeira entrega do Mar Aberto, programa à renovação e à ampliação da frota do Sistema Petrobras.
As 10 embarcações que vão compor essa série serão equipadas com sistemas de motorização híbrida (diesel-elétrica) híbrida com banco de baterias capaz de reduzir o consumo de combustível e permitindo uma redução de cerca de 18% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) em comparação com a frota atual. Os navios serão preparados para operar com combustíveis mais limpos, como HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), conhecido como ‘diesel verde’.
A embarcação navegou de Santa Catarina ao Rio de Janeiro com uma tripulação 100% feminina. A equipe embarcada, sob a liderança da comandante Isabela Teixeira Ponce de Leon, é composta por 16 mulheres no total. O batismo foi realizado no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, e teve como madrinha a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
A Petrobras destacou que elas estão em linha com as metas de transição energética da companhia. Além de sistemas mais modernos de geração e distribuição de energia, incluindo bancos de baterias, monitoramento de consumo por telemetria e possibilidade futura de operação parcial com combustível renovável, as embarcações também contam com novas tecnologias de pintura e sistemas anti-incrustação, que contribuem para reduzir o consumo de combustível e as emissões.








