Destinação da P-35 segue em avaliação pela Petrobras

  • 19/10/2026

FPSO será levado para o estaleiro Clip, antigo Inhaúma, onde ficará acostado temporariamente até definição do futuro da unidade, desancorada da Bacia de Campos

A Petrobras continua a avaliar o futuro da P-35, que foi desancorada da Bacia de Campos em abril deste ano. O FPSO encontra-se em preparação no Arsenal de Marinha (AMRJ), na Baía de Guanabara, onde passa por etapas como limpeza de bioincrustação do casco, adequações técnicas e gerenciamento de efluentes. A companhia confirmou à Portos e Navios que a plataforma seguirá para acostamento temporário no Estaleiro Clip, antigo Inhaúma (RJ), até a definição.

Procurada, a petroleira informou que a movimentação para o estaleiro do grupo filipino ICTSI, tem como objetivo disponibilizar infraestrutura portuária, facilidades de acostamento e execução dos serviços necessários para a permanência segura da unidade enquanto são avaliadas diferentes possibilidades para sua destinação. “Os processos futuros associados à P-35 serão conduzidos conforme a evolução dos estudos em curso, atendendo a regulação aplicável e os procedimentos de governança da companhia”, afirmou a Petrobras em nota.

A instalação está localizada no bairro do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro (RJ), e foi adquirida recentemente pela ICTSI, que também opera um terminal de contêineres no Porto do Rio em área arrendada. A Clip Offshore, joint venture entre o Gavea Group e a Companhia Logística Industrial do Porto, do grupo ICTSI, tem contrato com a Petrobras para os serviços na P-35. A Gavea atua na preservação e manutenção da unidade, com serviços de movimentação de cargas, limpeza de tanques, gerenciamento de resíduos, manutenção e reparos.

Em visita ao estaleiro na última quarta-feira (14), o gerente de programas estruturantes da Petrobras, Wagner Victer, disse que o dique está totalmente seco, que os dois guindastes foram recuperados e que as equipes já estão trabalhando nas instalações. “Até janeiro de 2027, o estaleiro estará totalmente liberado e com o licenciamento realizado para voltar a começar a operar e realizar reparos”, disse Victer, em uma publicação numa rede social.

Sobre a plataforma
A P-35 possui mais de 330 metros de comprimento. Com mais de 20 anos de operação, a unidade foi uma das plataformas offshore selecionadas pela Petrobras para avaliação sobre a viabilidade de passar por processo de reaproveitamento, em vez de seguir para desmantelamento. Esse FPSO foi instalado no ano de 1997, no campo de Marlim, na Bacia de Campos, onde operava em lâmina d’água de 900 metros, com capacidade de produzir até 84 mil barris por dia.

A operação de desacoplagem (hook out) do sistema de ancoragem da P-35, considerada uma das etapas mais desafiadoras, foi concluída no último dia 25 de abril, após 18 dias de atividades envolvendo a retirada de mais de 6,5 quilômetros de cabos, 10 km de amarras e 90 acessórios, totalizando cerca de 2.734 toneladas de equipamentos submarinos. A logística contou com suporte de nove barcos de apoio offshore do tipo AHTS (manuseio de âncoras).

Fonte: Portos e Navios – Danilo Oliveira