EAS diversifica perfil de reparos e mira frota de aliviadores

  • 14/09/2026

Em cinco anos, estaleiro atingiu marca de 90 reparos com serviços em navios de cabotagem, apoio marítimo, graneleiros e petroleiros, além de ativos offshore e outros tipos de embarcações

O Estaleiro Atlântico Sul, em Ipojuca (PE), atingiu 90 reparos nos últimos cinco anos. A avaliação do EAS é que a marca é bastante expressiva para um estaleiro que, com um dique e suas demais instalações, vem conseguindo diversificar os tipos de embarcações do portfólio, que já abrange conteineiros, graneleiros, navios de químicos, petroleiros, gaseiros e barcos de apoio marítimo, além de um incremento no atendimento a embarcações especiais e a ativos offshore nos últimos dois anos.

O CEO do EAS, Roberto Brisolla, considera que esse período foi importante para o estaleiro atingir níveis de eficiência técnica maiores, atendendo às exigências de prazo, qualidade e compliance. “Em cinco anos, nos consolidamos como principal e o melhor estaleiro de reparo do Brasil, atendendo o mercado de cabotagem e diversos navios especiais e com altos níveis de excelência, segurança e qualidade, superando o desafio da distância”, disse Brisolla à Portos e Navios.

Além dos navios mercantes e barcos de apoio, o EAS docou plataformas do tipo flotel e atracou uma jack-up rig para upgrade em 2025. A unidade auto elevável é da empresa Ades, do Egito, que é um dos maiores operadores desse tipo de unidade de perfuração e tamponamento de poços do mundo, com operações em campos exploratórios na região do Oriente Médio. “A expectativa nossa agora é continuar recebendo embarcações dessa empresa. Tal foi o nível de satisfação deles”, contou o diretor do estaleiro, Leo Delarole.

O EAS também segue atento às demandas de navios shuttle tankers que estão operando em águas jurisdicionais brasileiras (AJB). Os aliviadores que operam para o sistema Petrobras/Transpetro são navios que fazem principalmente o trajeto plataforma-costa e não trafegam no longo curso.

“São navios que, preferencialmente, deveriam docar aqui no Brasil, mas têm ido para a Europa por falta de alternativas”, observa Brisolla.

No final de 2024, o EAS docou um dos navios da frota de shuttle tankers, que tem entre 40 e 50 embarcações operando no Brasil. “É uma frota importante. Evita todo esse deslocamento para Europa ou Ásia sem carga. A ineficiência de fazer uma docagem fora é muito grande por esse deslocamento”, avaliou o CEO do estaleiro.

Ele afirmou que o EAS atingiu um nível de produtividade no reparo similar, ou maior, do que alguns estaleiros europeus.

“Com os asiáticos é mais difícil de competir, sabemos que a China tem um custo baixíssimo, por vários fatores. Então, buscamos os que fazem cabotagem. Praticamente já docamos toda a frota de cabotagem do Brasil de navios acima de 150 metros”, destacou Brisolla.

Delarole mencionou que, nos últimos dois anos, o EAS fez trabalhos importantes de troca de chapas estruturais. Sem citar nome dos clientes, ele explicou que alguns navios precisavam de trocas de chapas, a fim de evitar problemas com corrosão e aumentar a segurança das embarcações.

Para Brisolla, o estaleiro atingiu um nível de eficiência no reparo que contribuiu para elevação do nível de satisfação dos clientes.

“É preciso ser muito ágil, temos que fazer a engenharia rapidamente e a substituição das chapas. Muita coisa você descobre só com o navio no dique”, explicou.

O efetivo do EAS tem cerca de 500 trabalhadores fixos, chegando a 1.000 profissionais, dependendo da complexidade e da quantidade dos serviços simultâneos, que vão desde pintura e tratamento de convés até parte mecânica e troca tubulações e válvulas. Brisolla ressaltou que o estaleiro utiliza mão de obra própria e local e que está constantemente reciclando e recapacitando os trabalhadores.

Delarole percebe que a evolução dos reparos no EAS nesses cinco anos também contribuiu para a reativação da base local de fornecedores de navipeças e de serviços em Pernambuco.

“Com a nossa operação de reparo, fomentamos a cadeia de supply chain. Hoje, temos com facilidade compra e disponibilidade de material e peças para os navios”, afirmou o diretor.

O CEO do EAS considera relevante a possibilidade de as empresas de navegação obterem recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para reparos, porém entende que essa alternativa não é suficiente para a tomada de decisão do cliente em relação a docar no Brasil.

“O FMM acaba sendo um fator decisório para o cliente quando ele compara. Mas, se ele não tiver um estaleiro no qual ele confie e acredite que vai ter uma boa obra no prazo, preço e qualidade, ele não mudaria somente pelo FMM”, analisou Brisolla.

O executivo ressaltou que o EAS vem mantendo as instalações em boas condições de trabalho e que essa operação de reparo também tem contribuído para manutenção do ativo, deixando-o preparado inclusive para outras obras que o estaleiro venha a fazer futuramente.

“Armadores têm navios operando aqui na costa brasileira, seja os shuttle tankers de petróleo, seja outros navios. Temos buscado cada vez mais atrair esses clientes para fazer reparos aqui”, resumiu Brisolla.

Fonte: Portos e Navios – Danilo Oliveira
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