IBGE revela retrato mais fiel do emprego no país

  • 21/01/2014

Diferentemente do que acontece hoje na Argentina, o Brasil conta com estatísticas econômicas oficiais confiáveis e respeitadas no mercado. O IBGE acaba de dar mais um passo importante para consolidar esta conquista ao divulgar o que intitulou de “Pnad Contínua”. Trata-se da já tradicional pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios agora apurada em bases trimestrais e avaliando também o quadro do emprego em cerca de 3.500 municípios (dos 5.700).

O IBGE já trabalha com um bom indicador que é a Pesquisa Mensal do Emprego, mas que se restringe a seis regiões metropolitanas. Os dados retratam a evolução do emprego em áreas urbanas com elevada participação na atividade econômica, porém englobam menos de um terço da população brasileira. A Pnad Contínua, por sua vez, abrange todas as áreas metropolitanas e ainda muitas outras cidades médias e pequenas, que abrigam quase 90% da população brasileira.

Desse modo, com esse novo indicador será possível ter um retrato mais fiel da situação do emprego no Brasil. No segundo trimestre de 2013, por exemplo, a Pnad Contínua calculou o desemprego em 7,4%, com tendência de redução (no primeiro trimestre teria sido de 7,7%). Nas seis regiões metropolitanas observadas pela Pesquisa Mensal de Emprego, a taxa de desemprego foi inferior a 6% no mesmo período.

Pela Pnad Contínua, ficou claro que o desemprego está realmente muito baixo na região Sul (menos de 5%), encontra-se dentro da média no Sudeste, e se mantém elevado no Nordeste, no patamar de 10%. Essas diferenças são observadas também nas principais regiões metropolitanas, mas são mais acentuadas quando a amostra é consideravelmente ampliada.

Os novos indicadores certamente ajudarão na formulação de políticas que podem contribuir para equilibrar mais o mercado de trabalho. Há segmentos econômicos em que a escassez de mão de obra atualmente inibe a produção. Porém, os desempregados identificados em grande número não supririam essa demanda porque não têm a escolaridade ou qualificação profissional necessárias para ocupar tais funções. Pela Pnad Contínua, o desemprego entre brasileiros com ensino médio incompleto atinge 12,7%, e e entre os que concluíram o ensino superior não passa de 4%

A formação profissional é de fato o caminho para se eliminar gargalos e oferecer oportunidades aos jovens, pois, nas faixa etária até 24 anos, os índices de desemprego são mais elevados. O Brasil ainda teria cerca de sete milhões de desempregados, sendo a maioria composta por jovens mulheres.

A partir desse retrato, governos e empresas poderão aprimorar os programas destinados a preparar pessoal para o que efetivamente o mercado brasileiro precisa.

 

Fonte: O Globo – Editorial

 

21/01/2014|Seção: Notícias da Semana|Tags: , , |