Berço de atracação na base de apoio da Brasil Port, no Porto do Açu, utilizada pela Chevron ( Divulgação )

Chevron contrata embarcações do grupo Edison Chouest

  • 11/09/2017

O grupo Edison Chouest venceu a concorrência da Chevron para fornecer serviços de apoio marítimo à petroleira. Os AHTSs Elisabeth C e Campos Contender superaram barcos ofertados por armadores como a Farol Apoio Marítimo, CBO, Maersk e SolstadFarstad e foram contratadas por mais quatro anos.

Operadas pela Bram Offshore – empresa de navegação do grupo norte-americano no Brasil –, as embarcações eram as responsáveis pelas atividades realizadas a partir da base de apoio utilizada pela Chevron no Porto do Açu (RJ), a Brasil Port, que também pertence ao Edison Chouest. Seus contratos terminariam neste mês e em janeiro de 2018

Além do Elisabeth C e do Campos Contender, que é equipado com ROV para realizar atividades de inspeção e manutenção subsea, a Chevron é apoiada pelo OSRV Magé, da Oceanpact, em suas operações no campo de Frade, na Bacia de Campos.

Outras petroleiras privadas também estão movimentando o mercado de apoio marítimo. A francesa Total promove um bid para afretar quatro embarcações de bandeira brasileira ou inscritas no Registro Especial Brasileiro (REB) para atuar no campo de Lapa, na Bacia de Santos.

Já a Statoil busca três PSVs 4500 e um PSV 3000 por seis meses firmes. A companhia escandinava é operadora do campo de Peregrino, na Bacia de Campos, e de blocos onde foram feitas importantes descobertas, como o BM-C-33 (Pão de Açúcar) e BM-S-8 (Carcará).

A Petrobras, por sua vez, promove licitações para afretar OSRVs e SDSVs (de apoio a operações de mergulho). Na primeira concorrência, duas empresas apresentaram recurso questionando a qualificação técnica das embarcações NS Loreto e Macaé, da Oceanpact, por supostamente não estarem dentro do limite máximo de idade, de acordo com a shipbroker Westshore.

Do apoio marítimo para a Defesa

A SolstadFarstad venceu uma licitação da Marinha do Brasil e fechou, por R$ 82,8 milhões, venda de três embarcações à instituição. Os AHTSs Sea Fox, Sea Vixen e Sea Stoat operaram no apoio marítimo à Petrobras entre 2012 e 2014 e, agora, prestarão serviços de busca e salvamento, entre outros. A entrega está prevista para o último trimestre deste ano.

O AHTS Sea Fox, que já prestou serviços à Petrobras, fará parte da frota da Marinha ( Divulgação )

O Brasil é, ao lado da Austrália e da Noruega, uma das regiões estratégicas da empresa, que é resultado da fusão entre as escandinavas Solstad Offshore, Farstad Shipping e Deepsea Supply, concluída em junho deste ano. As atividades do armador nesse países, onde operam 33 AHTSs e 22 PSVs, são comandadas pelo vice-presidente executivo Kenneth Lande.

Segundo o relatório da frota de apoio marítimo da Abeam referente ao mês de julho, a SolstadFarstad tem, no Brasil, 17 embarcações, sendo oito AHTSs, seis PSVs, dois RSVs e um DSV. Na lista estão incluídos dois dos três barcos vendidos à Marinha: Sea Vixen e Sea Stoat, que pertenciam originalmente à Solstad.

Resultados

Na apresentação de seus resultados financeiros do segundo trimestre, a empresa informou que continuará a construir uma posição de mercado forte nesses três mercados, com “operações eficientes, organização local e capacidade dedicada de alocação”.

No período, a SolstadFarstad lucrou NOK 1,3 bilhão (US$ 168 milhões), ampliando consideravelmente os ganhos de NOK 193 milhões (US$ 2 milhões) registrados no segundo trimestre de 2016, em função da operação de fusão. A receita entre abril e junho foi de NOK 711 milhões (US$ 9 milhões), queda de 1% ante os NOK 719 milhões registrados no 2T16.

Entre outros armadores que divulgaram resultados financeiros recentemente estão a Bourbon Offshore a Siem Offshore.

Com mais de 500 barcos em operação em 45 países, o armador francês faturou € 420 milhões no segundo trimestre, queda de 25% ante abril e junho de 2016. No período, a Bourbon registrou prejuízo de € 170 milhões, reduzindo as perdas em relação ao segundo trimestre do ano anterior (€ 87 milhões).

Em seu relatório, a Bourbon destacou que, com a estabilização do preço do barril em torno dos US$ 50, as petroleiras adaptaram e retomaram seus projetos de E&P.

“Apesar de uma demanda ainda em baixa, sinais de uma gradual retomada da perfuração e o desenvolvimento de campos existentes são visíveis em alguns países”, declarou a companhia, que prevê uma estabilização das taxas diárias nos segmentos subsea e de transporte de passageiros.

Nesta sexta-feira, a Bourbon divulgou o nome de seu novo CEO, Gaël Bodénès. Ele substituiu Christian Lefèvre, que deixou a companhia. Também foram anunciados os nomes de Jacques de Chateauvieux, como Chairman executivo, e Astrid de Bréon, como diretora executiva.

Já a Siem Offshore faturou US$ 117,7 milhões no segundo trimestre, aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2016, quando as receitas somaram US$ 99,6 milhões. No período, a empresa registrou prejuízo de US$ 87,6 milhões, ante perda de US$ 7,6 milhões um ano antes.

A companhia assinalou, na apresentação de seus resultados, que as taxas diárias de embarcações permaneceram reduzidas durante o trimestre, devido ao excesso de barcos disponíveis no mercado, sobretudo de PSVs e AHTSs.

“Acreditamos que o mercado seguirá em uma situação difícil nos próximos dois anos, na medida em que contratos de sondas se aproximam do fim e mais barcos continuam a chegar de outras regiões”, disse a empresa.

Fonte: Brasil Energia – João Montenegro
11/09/2017|Seção: Notícias da Semana|Tags: , |