Nos últimos dez anos setor de apoio portuário construiu 120 rebocadores no Brasil

  • 03/07/2020

De acordo com o Sindiporto Brasil, os estaleiros no país vêm construindo rebocadores de classe mundial.

 

Parte importante das operações nos portos, o segmento de apoio portuário no Brasil construiu nos últimos dez anos 120 rebocadores em estaleiros nacionais. A informação foi dada pelo presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação de Tráfego Portuário (Sindiporto Brasil), Luiz Felipe Gouvêa, durante segunda Live realizada pela Revista Portos e Navios, sobre Ações do Apoio Portuário na Pandemia, nesta quinta-feira (02). Além disso, ele informou que recentemente outras 26 construções de rebocadores obtiveram a aprovação da utilização do Fundo da Marinha Mercante (FMM) pelo Conselho Diretor.

Gouvêa destacou que mesmo que o apoio portuário não gere o Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), o setor representa um importante tomador de recursos do fundo que são empregados nos estaleiros brasileiros. Segundo ele, são construídos no Brasil rebocadores de classe mundial, comparáveis aos construídos em países como Turquia e Holanda. “É importante destacar que nós não temos nenhum tipo de restrição para construir rebocadores portuários no país”, frisou. Ele ressaltou ainda que as empresas associadas estejam bem servidas pela capacitação dos estaleiros em construir embarcações de excelência.

Além disso, Gouvêa afirmou que a demanda por construção de rebocadores ainda deva permanecer por alguns anos no país por uma questão “orgânica”. De acordo com ele, ainda existe uma pequena parte da frota que precisa ser atualizada em termos de novas tecnologias. “Em longo prazo e de forma orgânica isso vai acontecer”, disse. Apesar disso, ele pontuou que nos últimos dez anos os rebocadores avançaram muito em modernização no país, até mesmo com uma tecnologia idêntica a rebocadores de portos como o de Roterdã e Hamburgo, por exemplo.

Um dos sistemas de modernização que vêm sendo implementados nas novas embarcações são os sistemas de propulsão azimutal. Segundo Gouvêa, atualmente a frota no Brasil é predominantemente azimutal, com apenas de 15% a 20% de rebocadores convencionais. Porém, segundo ele, a utilização de rebocadores com ou sem esse sistema vai depender da demanda. Desse modo, ele garantiu que um rebocador convencional não é considerado inferior a um azimutal.

Gouvêa afirmou que as associadas do Sindiporto Brasil operam em pelo menos 30 portos no país. No entanto, nem todos os portos têm apresentado uma boa estrutura para atender a frota de rebocadores. “Nós temos tido sucesso em alguns portos e insucesso em outros”, disse. Mas, ele afirmou que recentemente o sindicato conseguiu montar uma boa estrutura de apoio no Porto de Rio Grande (RS), o que possibilitou às empresas o acesso às instalações elétricas, que representa uma das principais demandas do setor nos portos.

Outro aspecto que ele destacou como sendo essencial para garantir uma boa infraestrutura portuária ao segmento é a acomodação adequada aos navios, bem como oferecer serviços de infraestrutura para todos os tipos de embarcações. Sobre este aspecto, ele lembrou que o apoio portuário não esteja restrito apenas aos rebocadores, mas também é composto pelas lanchas que fazem o transporte de tripulantes a bordo, barcaças de abastecimento de bunker e abastecimento de água, entre outros.

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