Petrobras reduz em 38% os investimentos em E&P e se contradiz ao anunciar novos desinvestimentos

  • 15/09/2020

O mercado amanheceu hoje (15) com o anúncio da Petrobras de redução em cerca de 38% em seus investimentos em Exploração e Produção (E&P) previstos até 2025, além da decisão de incluir novos ativos em seu já graúdo programa de desinvestimentos. O recado é claro: a privatização aos pedaços da empresa, como denunciam o seu corpo técnico e os petroleiros, ganhará ainda mais impulso. Mais do que isso, esse novo anúncio de novos desinvestimentos é uma mensagem controversa de uma empresa que, dias atrás, fez uma proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) garantindo estabilidade de empregos. A promessa no papel é essa, mas a realidade é outra. A Petrobras de Roberto Castello Branco continua obstinada em fazer um verdadeiro saldão de ativos lucrativos, como rede de venda de combustíveis, redes de gasodutos, campos offshore, entre outros, deixando desempregados nas regiões Norte, Sul e Nordeste e focando nas operações de Rio de Janeiro e São Paulo, mais próximas ao pré-sal.

Na revisão de portfólio anunciada pela Petrobras, a empresa estima um investimento em E&P de aproximadamente US$ 40-50 bilhões para 2021-2025, ante US$ 64 bilhões anunciados no Plano Estratégico de 2020-2024. A escolha por apertar os gastos se baseia em fatores como otimização no investimento exploratório, desvalorização do Real, revisão da carteira de investimentos e, claro, o Capex evitado associado aos desinvestimentos.

 

Detalhamento dos investimentos da Petrobras em E&P – Clique para ampliar

 

A estatal não detalhou ainda quais serão os novos ativos que serão incluídos no programa de desinvestimentos. Esses pormenores deverão ser conhecidos no Petrobras Day 2020, previsto para o final de novembro, quando também devem ser apresentados o cronograma de início das novas plataformas.

Em comunicado, a estatal explicou ainda que Búzios e os demais ativos do pré-sal terão ainda mais importância dentro de sua carteira, representando aproximadamente 71% do investimento total de E&P para 2021-2025, contra 59% no Plano Estratégico de 2020-2024. “Os investimentos nesses ativos de classe mundial, nos quais somos o dono natural, estão em linha com nossos pilares estratégicos, sendo resilientes a preços mais baixos de óleo”, afirmou a empresa.

Fonte: Petronotícias

 

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