Imagem ilustrativa do projeto do NApAnt

Proposta selecionada do navio polar prevê 47,68% de conteúdo local

  • 05/11/2021

Emgepron pretende promover encontros sobre projeto do NApAnt com fornecedores locais, por intermédio do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro e da Abimaq. Associação fará sugestões para potencializar conteúdo local, fortalecer indústria nacional de navipeças e garantir ciclo de vida útil do ativo.

Começaram as consultas aos potenciais fornecedores do projeto do navio de apoio Antártico (NApAnt), cujo grupo construtor foi confirmado pela Marinha do Brasil no último dia 8 de outubro. O conteúdo local exigido inicialmente pela Marinha para o futuro navio previa o índice mínimo de 45%, sendo que a proposta selecionada pela força naval, do grupo Sembcorp Marine, apontou o percentual de 47,68%. A Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) pretende promover encontros e eventos sobre o navio polar com fornecedores locais e representantes da comunidade marítima, por intermédio do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Ao longo do projeto, a Emgepron poderá promover este tipo de encontro, a exemplo do que promoveu para o Programa de Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), com intuito de garantir o atingimento e, até, a superação, dos índices de nacionalização que serão incluídos no contrato que ainda será firmado, como uma medida gerencial, a depender do desempenho desse indicador. O gerente do projeto Navio de Apoio Antártico, comandante Archimedes Francisco Delgado, explicou que o Cluster vai contactar empresas fornecedoras, incentivando a participação e usando o seu ambiente informacional para dar publicidade às possibilidades de fornecimento de materiais e equipamentos, contribuindo assim para o atingimento dos índices contratuais.

O comandante Delgado disse que o processo do NApAnt foi idêntico ao adotado para a obtenção das fragatas Tamandaré, tanto no que se refere à seleção pela Marinha quanto pela negociação que se inicia na Emgepron. A Marinha e a Emgepron vêm utilizando os processos de solicitação de informações (Request for Information — RFI) e de solicitação de propostas (Request for Proposal — RFP) utilizado há muitos anos pelas forças armadas dos países desenvolvidos. “Tal processo tem se mostrado eficaz e a Marinha e a Emgepron vêm se aperfeiçoando no seu emprego”, salientou Delgado.

Representantes da Câmara Setorial de Equipamentos Navais, Offshore e Onshore (CSENO) e da câmara de defesa da Abimaq estiveram recentemente falando com a gerência do projeto NApAnt, ligada à coordenadoria-geral de programas estratégicos da Marinha. A CSENO sugere que a Marinha poderia exigir conteúdo local separadamente, contemplando um percentual mínimo para equipamentos. A CSENO avalia que está tendo uma excelente articulação, tanto com a Marinha, quanto com a Emgepron e já fez algumas proposições à Marinha no sentido de haver um índice de conteúdo local próprio para equipamentos.

“A CSENO já fez essa sugestão à Marinha com objetivo de fortalecer a indústria nacional de navipeças e garantir também o ciclo de vida útil do ativo, permitindo que, durante o período de vida útil da embarcação, a indústria nacional possa suportar o projeto com peças de reposição”, contou o presidente da CSENO/Abimaq, Bruno Galhardo. Ele defende um conteúdo local específico para máquinas e equipamentos que possa movimentar o mercado de fabricação nacional. “Dessa forma, teríamos um interesse das contratantes em desenvolver parcerias locais para fabricação de navipeças”, acredita Galhardo.

 

O novo NApAnt irá substituir o navio de apoio oceânico (NApOc) Ary Rongel (H44), que se aproxima do final do ciclo de vida. A Marinha destacou que o processo de seleção baseou-se na expertise técnica e gerencial do seu pessoal e contou com o apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A escolha da melhor oferta para atender o projeto teve início com a divulgação da RFP, em maio de 2020, e aplicou duas ferramentas principais: análise multicritério à decisão (AMD) e análise de riscos.

Em nota, a Marinha informou que a decisão envolveu a análise de mais de 300 critérios distribuídos nas seguintes áreas: desempenho do navio, modelo do negócio financeiro, ciclo de vida e apoio logístico integrado, e estratégia construtiva. O projeto vencedor será construído nas instalações do EJA, no Espírito Santo. A previsão da Marinha é que sejam gerados de 500 a 600 empregos diretos e mais de 6.000 indiretos, mobilizando importante parcela da indústria naval brasileira e da base tecnológica nacional.

‘Polar-1 Ltda’ é o nome da sociedade de propósito específico (SPE) formada pelo Estaleiro Jurong Aracruz (EJA) e pela Sembcorp Marine Specialised Shipbuilding, que fazem parte do mesmo grupo, a partir do resultado da concorrência promovida pela Marinha do Brasil para obtenção do navio. A negociação contratual com a SPE Polar-1 é conduzida pela contratante Emgepron e deverá cumprir os devidos trâmites legais e condições estipuladas na RFP para a assinatura do contrato no prazo mais breve possível. A entrega do navio à Marinha do Brasil está prevista para 2025.

Fonte: Portos e Navios – Danilo Oliveira
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