Starnav Elektra’, que conta com sistemas com baterias capazes de reduzir emissões e consumo de combustível, foi apresentado à presidente da Petrobras e ao presidente Lula em Itajaí. Batismo está previsto para ocorrer em agosto, em cerimônia no Rio de Janeiro. Embarcação
O estaleiro Detroit Brasil finalizará, com dois anos de antecedência em relação ao prazo contratual, a construção do primeiro PSV (transporte de suprimentos) híbrido, construído em suas instalações em Itajaí (SC). Na última sexta-feira (26), o Starnav Elektra foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à presidente da Petrobras Magda Chambriard, que visitaram o construtor, que possui em carteira 6 PSVs e 4 OSRVs (combate ao derramamento de óleo). Essas 10 novas embarcações serão incorporadas à frota da Starnav e vão operar para a petroleira. A expectativa é que o primeiro batismo ocorra no final de agosto, no Rio de Janeiro (RJ).
O Starnav Elektra é a primeira unidade dessa série de 10 embarcações no Detroit, que serão equipadas com sistemas de propulsão híbrida com banco de baterias capaz de reduzir o consumo de combustível e de emissões. Os navios serão preparados para operar com combustíveis mais limpos, como HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), conhecido como ‘diesel verde’. “Do ponto de vista tecnológico, o futuro já está aqui e agora precisaremos essencialmente da disponibilidade desse combustível e da infraestrutura portuária, para avançarmos mais na descarbonização das operações”, disse o diretor executivo da Starnav, Carlos Eduardo Pereira.
Ele destacou o elevado índice de conteúdo nacional desse projeto, segundo ele, o primeiro navio de apoio marítimo com projeto completo, incluindo projeto básico, que foi integralmente desenvolvido pela engenharia do estaleiro Detroit Brasil nessas instalações. O executivo afirmou que houve forte participação da indústria nacional e de parceiros estratégicos, como a fabricante Weg, que também está instalada em Santa Catarina.
“Até pouco tempo, as referências mundiais eram somente projetos noruegueses, asiáticos e americanos. Hoje, temos orgulho de afirmar que o Brasil também se posiciona como referência internacional com engenharias e soluções desenvolvidas aqui. (…) Esse é um exemplo de que é possível aliar competitividade, inovação e responsabilidade ambiental”, enfatizou Pereira.
Para o diretor da Starnav, a carteira de encomendas é um indicador claro de organização, competência e previsibilidade do setor naval. “Esse projeto traz impacto direto e relevante para economia local: geração de empregos diretos e indiretos que movimentam toda a cadeia produtiva, desde indústria metalmecânica até serviços de tecnologia altamente especializados”, afirmou.
O PSV Starnav Elektra, contratado em 2025, receberá investimentos da ordem de R$ 450 milhões de investimento — cerca de US$ 70 milhões.
“Essa entrega mostra antecipação de uma encomenda em dois anos. O ‘melhor estaleiro do mundo’ que trabalha para a gente se gaba numa antecipação de sete meses. Estamos tendo aqui em Itajaí uma antecipação de dois anos, mostrando a pujança da indústria naval brasileira”, salientou Magda Chambriard, que será madrinha da embarcação.
O diretor da Starnav defendeu que esse tipo de projeto só é viável, dentro de um modelo em que a iniciativa privada investe em ativos de alto valor, amparados por contratações de longo prazo. Segundo Pereira, esse formato tem se mostrado robusto ao longo das últimas décadas, desde os primeiros programas de renovação de frota de apoio marítimo da Petrobras (Prorefam). Nessa série de 10 barcos de apoio, o grupo Detroit está fazendo investimentos de mais de US$ 700 milhões, contando com financiamento do Fundo da Marinha Mercante (FMM), tendo o BNDES como agente financeiro.
Pereira disse que a Lei 9.432/1997, ao garantir prioridade ao uso de navios de bandeira brasileira, é essencial para que o país mantenha frota própria, disponível e competitiva. Ele considera fundamental que a Petrobras atue como grande fomentadora, mas também como a protetora desse modelo, reforçando junto ao governo e de forma constante junto às áreas operacionais e de contratação a importância da priorização de navios de bandeira brasileira e construídos no Brasil.
“Trata-se de tema de soberania nacional. Grandes economias, inclusive as ditas mais abertas do mundo, mantêm mecanismos de proteção à sua navegação. Na prática, sabemos que em momento de aquecimento do mercado internacional, as embarcações estrangeiras tendem a migrar para operações mais rentáveis fora do país, podendo comprometer a disponibilidade em atividades estratégicas, como exploração de O&G”, comentou Pereira.
O diretor da Starnav destacou que Santa Catarina tem se consolidado como principal polo de construção de embarcações de apoio marítimo no Brasil. Pereira avalia que, com uma base industrial sólida, mão de obra qualificada e forte integração com fornecedores, é possível entregar projetos com elevado nível de qualidade, inovação e confiabilidade. “Esse projeto mais uma vez demonstra que o Brasil tem plena capacidade de desenvolver soluções completas, com tecnologia nacional, eficiência operacional e responsabilidade ambiental. Seguimos avançando com equilíbrio, visão de longo prazo e confiança no potencial da nossa indústria naval”, concluiu.







