Produção de gás natural no país cresce, mas a de petróleo continua em queda

  • 24/09/2013

A curva de crescimento da produção brasileira de gás natural está se descolando da de petróleo. Desde janeiro de 2012, quando o país atingiu o último recorde mensal de produção de petróleo (2,231 milhões de barris diários), o indicador segue uma trajetória de queda e atualmente está em 1,974 milhão de barris/dia (11% a menos que o recorde). No mesmo período, a produção de gás do país bateu sete recordes mensais e atingiu em julho 78,5 milhões de metros cúbicos/dia, 10,4% a mais que o volume registrado no início do ano passado.

De acordo com especialistas, o distanciamento entre as curvas de produção de gás e petróleo se deve a dois fatores. O primeiro é uma maior produção de gás em campos onshore (terrestres), principalmente pelo crescimento da produção no complexo desenvolvido pela OGX, petroleira do empresário Eike Batista, na Bacia do Parnaíba, no Maranhão.

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O campo de Gavião Real, situado naquela bacia, está produzindo aproximadamente 4,5 milhões de metros cúbicos/dia. Esse volume é utilizado para geração de energia a partir da usina Parnaíba I, da MPX, empresa controlada por Eike e a alemã E.ON.

O outro motivo é o cronograma de manutenção e as paradas programadas das plataformas de produção marítimas da Petrobras, dentro do programa de aumento da eficiência operacional da Bacia de Campos, o que causa impacto direto na produção de petróleo do país.

Segundo Marcelo Colomer, pesquisador do grupo de economia de energia da UFRJ, cerca de 85% da produção brasileira de gás natural é diretamente dependente da produção de petróleo, por meio do gás natural associado. “A tendência é que essa produção de gás natural passe a ser um pouco mais independente”, explica o especialista.

O descolamento da produção de gás da de petróleo também dependerá do sucesso da exploração das áreas que serão ofertadas na 12ª rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Previsto para novembro, o leilão vai incluir blocos com potencial para descoberta de gás não convencional – como o gás de xisto ou de folhelho -, cuja produção está em franco crescimento, com custos competitivos, nos Estados Unidos.

O diretor da consultoria Gas Energy, Marco Tavares, também avalia que o aumento da produção de gás natural do país “será uma tônica daqui para a frente”. Segundo ele, a expansão da produção de petróleo e gás está se deslocando da Bacia de Campos para a Bacia de Santos, onde a razão gás-óleo, que indica a quantidade de gás produzida para o mesmo volume de óleo, é maior.

Segundo Tavares, na Bacia de Campos, nos melhores casos, são produzidos 80 metros cúbicos de gás para cada metro cúbico de petróleo. Já no pré-sal da Bacia de Santos, a média é de 220 metros cúbicos de gás por cada metro cúbico de petróleo. “Vamos ter proporcionalmente mais gás daqui para a frente”, diz.

De acordo com o especialista, o que é um fator positivo, porém, pode se transformar em um problema. O Brasil deve duplicar sua produção nacional de gás natural até 2020 e não existe um mercado para consumir esse energético, aos preços atuais, considerados elevados pelo consultor.

Atualmente, da produção total de gás, descartando os volumes reinjetados nos poços e utilizados para geração de energia nas plataformas, chegam à costa cerca de 40 milhões de metros cúbicos/dia. A expectativa da Gas Energy é que esse volume alcance a faixa de 85 a 90 milhões de metros cúbicos/dia em 2020. “O Brasil não tem hoje uma visão de gás natural na matriz energética que possibilite a absorção desses volumes”, diz Tavares.
Para o presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa, o problema é o monopólio e a presença da Petrobras em todos os segmentos da cadeia produtiva do gás. Segundo ele, o energético é deixado em segundo plano pela estatal, o que acaba emperrando o desenvolvimento do mercado de gás natural brasileiro.

Segundo Pedrosa, o “tabuleiro de xadrez do gás natural” está mudando no mundo, com os fortes investimentos em gás não convencional nos EUA. “A Arábia Saudita já percebeu isso. Mas o Brasil só está assistindo [às mudanças]”, alertou o executivo.

Fonte: Valor Econômico – Rodrigo Polito e Claudia Facchini | Do Rio e São Paulo

 

Queima gera desperdício de 66% de insumo extraído no campo de Frade

Mesmo sem figurar na lista dos maiores produtores de óleo e gás do Brasil, o campo de Frade, na Bacia de Campos, é o oitavo maior em volume de queima de gás do país, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O total queimado na área em julho (último dado disponível) foi de 112 mil metros cúbicos/dia, ou 66% do montante produzido no campo no mesmo mês, que foi de 169,6 mil metros cúbicos/dia.

A queima relativamente expressiva de gás em Frade, operado pela norte-americana Chevron, ocorre após a retomada da produção no campo, em maio, depois de dois vazamentos de óleo. A ANP tem um programa de incentivo à redução da queima de gás, que desperdiça o insumo e gera dano ambiental. As empresas queimam o gás produzido junto com o óleo por não ter como aproveitá-lo ou armazená-lo.

Em outubro de 2011, um mês antes do primeiro vazamento de óleo no campo, a produção de Frade era de 70 mil barris/dia de petróleo e 860 mil metros cúbicos/dia de gás. Desse total, apenas 64 mil de metros cúbicos diários, ou 7,4%, foram queimados.

Procurada, a Chevron não comenta o assunto. Ela detém 51,7% do campo. A Petrobras tem 30% e a Frade Japão Petróleo, joint-venture formada por Inpex, Sojitz e Jogmec, 18,3%. (RP)

Fonte: Valor Econômico – Do Rio
24/09/2013|Seção: Notícias da Semana|Tags: , , |