Paes promete pressão sobre Petrobras e MP para retomada de empregos na indústria naval

  • 31/08/2018

Candidato falar em gerar ao menos 40 mil empregos no setor, sucateado por corrupção

O candidato ao governo do Rio Eduardo Paes (DEM) creditou a queda da indústria naval no estado a uma “mudança de política” do governo federal e da Petrobras, de olho na geração de empregos e no sucateamento que o setor sofreu após denúncias recorrentes de corrupção investigadas pela Lava-Jato.

Paes visitou nesta quinta-feira o Estaleiro Mauá, em Niterói, cidade que chegou a ter 30 mil funcionários no setor em 2014, e hoje viu o número despencar para 3 mil. De 18 estaleiros no estado, só cinco continuam abertos.

Paes lembrou que outros municípios com estaleiros, como Angra dos Reis e Itaguaí, podem se beneficiar de uma retomada da indústria naval, descrito como um “setor estratégico” em seu programa de governo. O ex-prefeito do Rio avaliou que é possível gerar “pelo menos 30, 40 mil empregos” no setor.

– O setor naval é muito intensivo em mão de obra e pode empregar muita gente. É papel do governador e nós vamos retomar esse emprego – disse Paes.

Paes também falou em pressionar a Petrobras para finalizar as obras do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), em Itaboraí, cuja previsão de conclusão ficou para 2020. A construção foi suspensa em 2015, quando a Petrobras registrou em seu balanço uma baixa de mais de R$ 5 bilhões por conta de pagamentos de propina no Comperj, alvo de denúncias de corrupção.

Ele disse não ver relação entre as investigações por corrupção, que deixou um rombo na Petrobras, com a queda de investimentos na indústria naval fluminense.

– Que bom que se puna (corrupção), só não pode matar a indústria por causa disso. Mas acho que nesse caso tem muito a ver com mudança de política mesmo – avaliou Paes.

– O governador tem papel fundamental nisso, no mínimo pressionando o Ministério Público e a Petrobras para fazer valer os contratos. Você tem navios da Transpetro que estão 90% prontos e foram abandonados, e ao mesmo tempo a Transpetro tem gastado dinheiro fretando navios para fazer seu transporte. Você tem que que ter conteúdo local, caso contrário você mata a indústria.

LAVA-JATO PARALISANTE

Orçada originalmente em U$ 8,4 bilhões, a obra já havia consumido cerca de U$ 13 bilhões até o último ano, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), e teve poucos avanços. O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, antigo aliado de Paes, foi condenado em 2017 pelo juiz Sergio Moro pelo recebimento de R$ 2,7 milhões de propina no contrato do Comperj. O ex-prefeito do Rio citou as obras do Comperj quando respondia sobre mobilidade urbana para a população de São Gonçalo e Itaboraí.

– Óbvio que a Linha 3 do metrô (Niterói-São Gonçalo) é um sonho de consumo, mas diante da situação fiscal do estado é um pouco delirante falar disso. Mas acho que a gente tem maneiras de melhorar a mobilidade. Primeira coisa é reduzir o deslocamento da população de São Gonçalo e Itaboraí em direção ao Rio de Janeiro. E como você faz isso? Em primeiro lugar, pressionando a Petrobras para retomar as obras do Comperj. Essa é uma ação política também importante. Você consegue muita geração de emprego na região – afirmou.

Três navios encomendados pela Transpetro, cujo valor total ultrapassa U$ 250 milhões, estavam próximos do estágio de conclusão quando tiveram sua construção paralisada, em 2015, após a Operação Lava-Jato descortinar esquemas de corrupção da Petrobras. A estatal alegou falta de recursos para finalizar as embarcações.

– A gente precisa fazer valer os contratos de concessão que garantem a produção de conteúdo local, isto é, produção de navios, módulos e plataformas aqui. A Petrobras está desrespeitando isso, e as empresas que aqui contratam estão desrespeitando também – disse Paes.

CACIQUES DO PMDB

O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, chegou a anunciar uma encomenda de oito navios ao Estaleiro Mauá no início de 2014, ao custo total de R$ 1,4 bilhão. Em delação premiada naquele ano, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que Machado repassava propina ligada à contratação de navios pela Transpetro, subsidiária da estatal para transporte e processamento de gás.

Machado fechou seu próprio acordo de delação em 2016 e citou caciques do então PMDB – incluindo o presidente Michel Temer – como beneficiários de propina da Transpetro. Eduardo Paes, à época, fazia parte da legenda – ele migrou para o DEM quando se lançou candidato ao governo do Rio neste ano.

Fonte: O Globo – Bernardo Mello
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