Com pandemia, queda de matéria-prima afeta estaleiros no país

  • 09/11/2020

O aço está entre os principais insumos da indústria naval impactados pela pandemia da Covid-19.

A indústria naval vem sendo impactada de forma significativa pela redução de insumos importados devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). De acordo com dados levantados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 68% das empresas dos setores de transformação e extrativista já estão sentindo o impacto da queda de matéria-prima. O levantamento foi feito de 1º a 14 de outubro deste ano.

No setor naval a maior dificuldade tem sido com o aço, material fundamental nessa indústria. De acordo com o diretor do Estaleiro Dock Brasil, Carlos Boeckh, o aço subiu de preço, assim como materiais relacionados à elétrica também aumentaram, pois acompanham o valor do dólar.

O diretor do Estaleiro Rio Maguari, Fabio Vasconcellos, afirmou que o aço plano e o aço longo estão com prazos de entrega de 120 dias, quando o normal era de 45 a 60 dias. Além disso, produtos como cabos elétricos, motores elétricos de pequeno porte, arame de soldagem, tubos e outros insumos e materiais também tem prazo de entrega pelo menos duas vezes maior do que no período de normalidade.

Para tentar driblar a atual situação, Vasconcellos vem procurando negociar com os fornecedores mais tradicionais de longo prazo e avaliando as oportunidades com os novos, inclusive com estrangeiros, enquanto aguarda a volta da normalidade. Ele também espera que haja recuo nas taxas cambiais que irá impactar no recuo dos preços internos dos principais insumos.

O coordenador de comunicação do Estaleiro Enseada, Marcelo Gentil Espinheira também acrescentou à lista de insumos que sofreram queda os itens de tubulação mais nobres e o aço inoxidável. Ele destacou que estes chegaram a ser produzidos no Brasil, mas que atualmente só são encontrados em outros países.

“A Indústria Naval vem sendo severamente afetada já que muitos insumos, como o aço, possuem componentes importados que são extremamente impactados pela alta internacional e também pelo aumento relativo da cotação do Dólar”, disse Espinheira. Em função das dificuldades impostas pela crise atual, o estaleiro vem considerando maiores prazos de entrega e desembaraço aduaneiro para materiais importados.

O Dock Brasil vem melhorando o planejamento para comprar com antecedência buscando preços mais acessíveis e diminuir outros custos relacionados ao reparo e manutenção para não repassar integralmente o aumento dos insumos.

Fonte: Portos e Navios – Dérika Virgulino
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