Nota do SINAVAL

  • 14/10/2021

O SINAVAL, em seu papel institucional de representação da Indústria Naval em nível nacional, vem a público apresentar sua posição em relação à notícia acima, publicada pela revista Portos e Navios em 14 de outubro de 2021, sobre a encomenda de dois navios porta-contêineres a um estaleiro da China.

  1. Registramos, inicialmente, que respeitamos a decisão de qualquer Empresa Brasileira de Navegação de encomendar, em qualquer parte do mundo, os navios necessários à sua operação na Cabotagem ou qualquer outra modalidade de transporte aquaviário. Nossa atitude não poderia ser diferente no caso presente, em que a Log-In – tradicional cliente da Indústria Naval brasileira – anuncia a contratação de dois grandes navios porta-contêineres a um estaleiro asiático.
  2. Apenas lamentamos este fato, que se soma a diversos outros desde que foi tomada no Brasil a decisão de direcionar para o Exterior, principalmente a China, a construção de embarcações e plataformas marítimas para as quais o Brasil tem estaleiros perfeitamente capacitados e com instalações que não ficam nada a dever às instalações dos países asiáticos. Essa atitude, assistida passivamente e até mesmo estimulada pelo Governo brasileiro, concorre para a exportação de milhares de empregos que deveriam ser dos competentes e capacitados trabalhadores brasileiros, justamente quando a situação do mercado de trabalho assume condições críticas no Brasil, ao mesmo tempo em que há uma indústria local – de Construção Naval e Offshore e de navipeças – em condições de atender a várias modalidades de navegação e de serviços marítimos, infelizmente desprestigiada e condenada à estagnação nos últimos governos deste País.
  3. Se fosse por razões tecnológicas inatingíveis pelos estaleiros brasileiros e suas indústrias fornecedoras, ou por deficiência em nossa capacidade produtiva, ainda poderíamos nos conformar com esse estado de coisas. Mas a Indústria Naval e Offshore brasileira e sua cadeia produtiva já atingiram elevados níveis de excelência, comprovados pela construção e agregação de Conteúdo Local nos fornecimentos de muitos navios e plataformas de alta qualidade, superior à observada em países como a China, em que foram constatadas deficiências nos produtos entregues ao Brasil, como noticiado pela imprensa em diversas ocasiões, atrasando e prejudicando a execução de projetos importantes com a única justificativa do preço das unidades produzidas no Brasil – que não é, como todos sabem, de responsabilidade da indústria brasileira.
  4. Neste momento, não se considera que um estaleiro como o EAS – Estaleiro Atlântico Sul poderia perfeitamente construir as embarcações anunciadas, dada a elevada capacitação atingida pela Empresa e o sucesso inegável na construção de grandes navios petroleiros de alta complexidade tecnológica, que hoje operam regularmente e sem problemas a serviço de um Armador categorizado como a Transpetro.
  5. Para viabilizar essas novas obras e outras semelhantes no Brasil, bastaria a vontade política, a firme tomada de posição do Governo, com providências eficazes para reduzir a diferença de custos que impossibilita, às empresas nacionais (não só aos estaleiros), atingirem condições de competitividade frente aos países asiáticos, principalmente a China.  No nosso caso, não é uma tarefa que pode ser deixada apenas aos estaleiros brasileiros: é um projeto de Brasil, da sociedade brasileira, que tem que decidir se o País deve, ou não, renunciar aos objetivos econômicos, sociais e estratégicos de ter uma Indústria Naval forte e florescente.
  6. As indústrias congêneres nos outros países são incentivadas e protegidas por seus governos. Só o Brasil, contrariando os interesses legítimos de seu povo e as necessidades de um país de dimensões continentais como o nosso, ainda não despertou de seu sono em berço esplêndido para voltar a cuidar com atenção e respeito de sua Indústria Naval e Offshore…

Rio de Janeiro, 14 de outubro de 2021.

Ariovaldo Rocha – Presidente do SINAVAL

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