O estaleiro conta atualmente com 1.500 profissionais na ativa (Crédito: Teresa Maia / Arquivo DP)

A retomada do Estaleiro Atlântico Sul

  • 30/01/2024

Projeção é animadora para o EAS, que anuncia novos contratos para os próximos seis meses e já se prepara para voltar a produzir navios

As expectativas em torno da retomada de produção da fábrica do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no Complexo Industrial Portuário de Suape, a partir deste ano, foram turbinadas com o recente anúncio da nova política industrial do Governo Federal, através da previsão de investimentos do BNDES, que promete aportes de R$ 2 bilhões do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para a volta da produção nacional de embarcações.

Com suas atividades paralisadas desde 2019, quando entregou o navio Portinari à Transpetro, o EAS anuncia novos contratos para os próximos seis meses, tanto para ampliar a cota de reparos naval quanto para a fabricação de carreteis para reposição de cabos marinhos para a exploração de petróleo. Além disso, o empreendimento está reativando os cadastros antigos e planejando a contratação de novos trabalhadores, na medida em que a demanda for aumentando nos próximos anos.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Guilherme Cavalcanti, depois de um longo período operando com cerca de 500 colaboradores, o estaleiro conta atualmente com 1.500 profissionais na ativa. Mas vale lembrar que no auge de suas operações, entre 2012 e 2014, a empresa chegou a empregar sete mil pessoas. Em 2019, quando teve as atividades da fábrica suspensas, o total de contratações chegava em quatro mil pessoas.

“Hoje, além dos reparos, eles (EAS) estão produzindo carreteis para reposição de cabos submarinos, que é uma encomenda nova. De fato, a produção da fábrica está sendo reativada. Essa experiência será muito rica para o estaleiro e para a Petrobras. Esperamos capacitar novos trabalhadores e reciclar outros, além de repatriar trabalhadores da indústria naval e petroleira que foram trabalhar fora”, celebrou Cavalcanti.

De acordo com o CEO do EAS, Roberto Brisolla, os novos contratos ajudaram a viabilizar a reativação da fábrica. Ainda não existe previsão para a retomada da produção de embarcações, mas Brisolla está animado com o futuro e, por isso, já vem ampliando as contratações, requalificando os trabalhadores e articulando parcerias com o Governo do Estado, UFPE, e Senai. A expectativa é de que o estaleiro seja contemplado com os benefícios do plano BNDES Azul.

“[A retomada de produção das embarcações] ainda não está consolidada, mas tem um trabalho grande do governo com a Transpetro e outras empresas, junto ao BNDES, para criar as condições de contratações desses navios. A Transpetro anunciou, em 2023, que deve voltar a contratar embarcações no Brasil e já abriu um processo de pré-qualificação de estaleiros e fomos pré-qualificados (EAS). Agora, estamos aguardando os anúncios das encomendas e nos antecipando, pegando esses novos contratos para retomar a fábrica. Com esses movimentos, a gente já sai na frente para, assim que tiver essa confirmação da demanda, a gente já estar num ponto avançado”.

Em 2022, o faturamento do estaleiro alcançou cerca de R$ 110 milhões e aumentou para R$ 200 milhões em 2023, um incremento de 70%. Dos 1.500 trabalhadores que hoje atuam no estaleiro, 900 foram contratados até o fim do ano passado. Desse total, 90% são trabalhadores resgatados dos cadastros antigos, principalmente os da área de solda e montagem.

“A perspectiva é continuar as contratações, na medida que as demandas da indústria naval se materializem. Nesse sentido, o plano BNDES Azul é um avanço nesse arcabouço que o governo está trabalhando para a retomada da indústria de atividades marítimas. É um programa de redução de taxas de juros, de aumento de financiamentos. A medida vai favorecer esse processo”.

Os atuais contratos foram firmados com os principais operadores de navios de cabotagem do Brasil, que transportam contêiners, graneis líquidos, produtos químicos, além de embarcações de apoio de plataforma de petróleo. Segundo Brisolla, são clientes de grande porte que não tinham estaleiros no Brasil para atender suas demandas.

O CEO adiantou que, nos próximos dias, representantes do Governo de Pernambuco devem visitar o estaleiro para conhecer o plano de estruturação e, a partir disso, saber onde podem investir e como ajudar no processo. A ideia é evitar gargalos em relação ao pessoal que vem sendo treinado para voltar à ativa.

Fonte: Diário de Pernambuco – Jamille Coelho
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