Indústria brasileira quer participar de forma ativa da retomada, afirma CSENO

  • 23/01/2026

Câmara setorial da Abimaq defende que mais embarcações sejam construídas em estaleiros brasileiros, assegurando internalização de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da base industrial nacional

Após a assinatura de novos contratos para construção de mais cinco navios para a Transpetro em estaleiros nacionais, a Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos Offshore reafirmou que a indústria brasileira está preparada e deseja participar de forma ativa, ampla e qualificada da retomada das encomendas do setor no Brasil. A CSENO/Abimaq acenou para a capacidade das empresas associadas contribuírem com elevado conteúdo local, competência técnica e capacidade industrial de forma aderente às demandas das novas construções, que visam ampliar e renovar a frota do Sistema Petrobras.

O sistema Petrobras tem contratados, ou em contratação, as obras para a construção de 48 embarcações de apoio marítimo e mais 18 barcaças e 18 empurradores, além de quatro petroleiros classe Handy e cinco gaseiros. Na última terça-feira (20), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que existem mais nove embarcações em avaliação e, pelo menos, seis a oito novas plataformas de petróleo em estudo para serem licitadas e construídas.

A câmara setorial da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) destacou o papel estratégico da Transpetro como principal operadora logística de dutos e transporte marítimo do país, bem como a condução do programa ‘Mar Aberto’, cuja assinatura dos contratos representa uma conquista aguardada há anos pela indústria brasileira. “Esses projetos eram amplamente ansiados pelo setor produtivo nacional, não apenas pelo seu volume e relevância, mas pelo impacto direto no fortalecimento da soberania logística, industrial e energética do Brasil”, comentou o presidente da CSENO/Abimaq, Leandro Pinto, à Portos e Navios.

Das contratações anunciadas ontem (20), em evento do ‘Mar Aberto’ no Rio Grande do Sul, os cinco navios gaseiros serão construídos no Estaleiro Rio Grande (ERG), da Ecovix. As 18 barcaças serão construídas pelo Beconal, do grupo Bertolini, em Manaus (AM), e os 18 empurradores foram contratados para fabricação no estaleiro INC, em Navegantes (SC).

Os cinco gaseiros vão demandar R$ 2,2 bilhões de investimentos e têm previsão de geração de um total de 3.200 empregos entre diretos e indiretos. As unidades serão 20% mais eficientes em termos de consumo e vão emitir 30% menos gases de efeito estufa (GEE), além de estarem aptas a operar em portos eletrificados.

As barcaças e empurradores representam investimentos adicionais de R$ 620 milhões. Estas unidades serão responsáveis, dentre outras atribuições, pelo abastecimento de navios fora da barra em todo litoral brasileiro. Os investimentos se somam aos R$ 1,4 bilhão destinados à construção dos 4 navios classe Handy, também pela Ecovix no ERG, só que em parceria com o grupo Mac Laren.

Os fornecedores nacionais também aguardam a finalização da terceira licitação internacional lançada pela Transpetro para a contratação de quatro navios da classe MR1 (Medium Range), com 40.000 toneladas de porte bruto (TPB). Segundo o presidente da CSENO, essa concorrência representa um passo decisivo para a consolidação da retomada da indústria naval.

A câmara setorial entende como fundamental que essas embarcações sejam construídas em estaleiros brasileiros, assegurando a internalização de investimentos, a geração de empregos qualificados e o fortalecimento da base industrial nacional. “A previsibilidade e a continuidade dos programas são determinantes para garantir escala produtiva, competitividade e sustentabilidade de longo prazo ao setor naval brasileiro”, defendeu Pinto, que é diretor geral da Anschütz.

A CSENO ressalta ainda que os fabricantes nacionais de máquinas, equipamentos e sistemas offshore possuem histórico comprovado de fornecimento ao setor de petróleo e gás, incluindo embarcações de grande porte e projetos de elevada complexidade. Pinto disse que a engenharia brasileira demonstra maturidade, flexibilidade tecnológica e plena conformidade com os mais rigorosos requisitos técnicos, ambientais e de segurança, conforme as normas da Organização Marítima Internacional (IMO), estando apta a contribuir para a eficiência operacional, a segurança e a sustentabilidade desses ativos ao longo de todo o seu ciclo de vida.

“Reconhecendo o caráter internacional e competitivo dos processos licitatórios, a câmara setorial reafirma seu compromisso com o diálogo técnico contínuo e colaborativo junto à Transpetro, estaleiros e demais stakeholders”, afirmou. Pinto também considera fundamental que, nos próximos programas de renovação e ampliação da frota, estaleiros brasileiros demonstrem interesse ativo em participar, fortalecendo o ecossistema industrial nacional.

“A participação efetiva dos estaleiros, aliada à integração de soluções locais com parceiros nacionais e internacionais, é essencial para maximizar o conteúdo nacional, gerar sinergias produtivas e consolidar o Brasil como referência em inovação, competitividade e sustentabilidade no setor naval e offshore”, concluiu.

Portos e Navios – Danilo Oliveira
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