A partir de chapas de aço com cerca de três milímetros de espessura, pode nascer um navio de mais de 3.500 toneladas. E assim, nesta sexta-feira (9), a Marinha do Brasil (MB), a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) e a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis (SPE AAz) iniciaram a construção da quarta embarcação do Programa Fragatas Classe “Tamandaré” (PFCT), com o corte da primeira chapa de aço da Fragata “Mariz e Barros” (F203).
O evento foi realizado na TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC). O Diretor de Gestão de Programas da Marinha (DGePM), Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes, foi o responsável por acionar o dispositivo que simboliza o início da construção.
A cerimônia tem dois grandes significados: o primeiro é o término de um ciclo de construção de quatro navios, que coloca o Brasil em um seleto grupo de países que conseguem construir navios com esse grau de complexidade. O segundo é pensar adiante no programa que qualificou cerca de 8 mil trabalhadores brasileiros, direta ou indiretamente, assim como habilitou mais de mil empresas brasileiras para atender à necessidade de conteúdo local de cerca de 40% desse programa”, ressaltou o Vice-Almirante Silva Gomes.
O primeiro corte de chapa representa a transição da fase de projeto para a fase de fabricação do navio. Para que esse marco seja atingido, o projeto detalhado da embarcação deve estar completo e aprovado, garantindo que todos os aspectos de engenharia, planejamento e logística estejam prontos para a produção. A partir desse momento, os recursos começam a ser aplicados de forma intensiva e o cronograma de construção ganha ênfase no controle de qualidade e na eficiência da produção.
A F203 recebe o nome do Primeiro-Tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros, herói da Guerra da Tríplice Aliança. O militar comandou o Encouraçado Tamandaré, um dos três primeiros navios com couraça construídos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e incorporados pela Marinha do Brasil. Ele morreu a bordo do Tamandaré quando o navio foi atingido pelos paraguaios durante o bombardeio ao Forte de Itapiru em 1866.
O projétil fragmentou-se, atingindo 34 militares, entre eles o Comandante, o Tenente Mariz e Barros, que faleceu no dia seguinte ao ataque, em função dos graves ferimentos.
A Fragata Mariz e Barros poderá atingir a velocidade de 25 nós, que equivale a cerca de 47 km/h. A previsão é de que a quarta Fragata da Classe Tamandaré seja lançada em 2027 e incorporada à Marinha do Brasil em 2029.
Com as quatro fragatas em construção, o PFCT entra em uma fase decisiva, consolidando a governança do programa e seu caráter estratégico para a Marinha do Brasil, ao fortalecer a Base Industrial de Defesa e seu ecossistema, promover transferência de tecnologia e know-how, além de contribuir diretamente para a soberania e a defesa nacional”, destacou o CEO da Águas Azuis, Fernando Queiroz.
Com o início da construção da F203, a TKMS Estaleiro Brasil Sul atinge o auge da produção prevista inicialmente para o PFCT, com as quatro primeiras embarcações do Programa produzidas concomitantemente, em território brasileiro, com alto índice de conteúdo local.
A Fragata Tamandaré (F200), primeira da Classe, foi lançada ao mar em agosto de 2024, quando foi batizada por Vera Brennand, esposa do Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro. O navio passou pelos testes de aceitação de mar de agosto a dezembro de 2025 e deve ser entregue ao setor operativo da Marinha do Brasil ainda no primeiro semestre de 2026.
Já a segunda fragata, a Jerônimo de Albuquerque (F201), passou pela cerimônia de batimento de quilha em junho de 2024 e foi lançada ao mar em agosto de 2025, batizada por Lu Alckmin, esposa do Vice-Presidente da República Geraldo Alckmin. O início das provas de mar da embarcação está previsto para meados de 2026.
O terceiro navio da Classe é a Fragata Cunha Moreira (F202), que começou a ser construída em novembro de 2024, com o corte da primeira chapa de aço. O início da montagem dos blocos que formam a embarcação foi em junho de 2025, com a cerimônia de batimento de quilha. A expectativa é de que essa fragata seja lançada ao mar em julho de 2026.
O PFCT é uma parceria entre a MB e a SPE Águas Azuis, formada pela TKMS, Embraer e Atech; é gerenciado pela Emgepron e busca a modernização da Esquadra brasileira, contribuindo para o fortalecimento da soberania do país e para o fomento das indústrias de defesa e naval, assim como da cadeia produtiva necessária à produção dos navios no Brasil.
As embarcações são dotadas de radares, sensores e armamentos de última geração. O programa ainda prevê a transferência de tecnologia de manuseio e fabricação dos navios. Além disso, o PFCT trabalha com tecnologia paperless, que visa ao desenvolvimento totalmente digital, eliminando o papel na linha de produção, promovendo a preservação ambiental. O projeto prevê a gestão do ciclo de vida do navio, que projeta os investimentos desde a construção até o desfazimento do meio.

O Programa Fragatas Classe Tamandaré está incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento, o Novo PAC, do governo federal, no eixo de Inovação para a Indústria de Defesa, o que garante mais investimentos e possibilita a nacionalização de sistemas avançados, capacitando empresas brasileiras na produção, manutenção e modernização dos recursos empregados ao longo do ciclo de vida dos navios. A expectativa é de que sejam gerados cerca de 23 mil empregos (2 mil diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos) durante a construção das Fragatas Classe Tamandaré.
Ao construir as embarcações em Itajaí (SC), a Marinha do Brasil possibilitou a reativação de um estaleiro que estava fora de operação, recontratando profissionais e gerando ainda mais emprego e renda para a região.
Para o estaleiro, estar em pleno funcionamento com as quatro embarcações concomitantes em execução é motivo de orgulho e inspiração.“Do ponto de vista industrial, o início da construção da quarta fragata reforça a capacidade do nosso estaleiro de operar em escala e com alto padrão tecnológico, traduzindo os pilares do PFCT em geração de empregos altamente qualificados, capacitação da indústria nacional e consolidação de processos complexos com impacto duradouro para o País”, reforçou o CEO da TKMS Estaleiro Brasil Sul, Holger Tepper.




