Com offshore aquecido, Clarksons estima 400 mil toneladas de novas possibilidades de REB

  • 27/03/2026

Consultoria calcula que metade das embarcações de bandeira estrangeira trazidas para AJB em 2025 não foram para suporte à Petrobras, demonstrando pulverização com outros players

A Clarksons verifica uma tendência muito forte de embarcações estrangeiras vindo para o Brasil arvorar a bandeira REB (Registro Especial Brasileiro). A consultoria estima 400 mil toneladas de novas possibilidades de REB, considerando o progresso das licitações para novas construções de barcos de apoio marítimo, principalmente PSVs(transporte de suprimentos)/OSRVs (combate ao derramamento de óleo), o que provocará uma geração de tonelagem muito grande.

Os analistas acreditam que esse movimento também resulta em um mercado de aluguel de tonelagens, que corrobora com a vinda de embarcações estrangeiras arvorando a bandeira REB. A avaliação da Clarksons é que, apesar da tendência de uso da bandeira temporária brasileira, ainda existem muitas embarcações estrangeiras, arvorando bandeiras estrangeiras, vindo para fainas no Brasil. O perfil, segundo a consultoria, é principalmente de barcos de apoio marítimo sofisticados, com bastante tecnologia embarcada.

“Entendemos que esse fato se deve muito à instabilidade, no que tange a circularização e bloqueio hoje, e também a essa ‘inundação de tonelagem’, provinda das licitações de novas construções, que geram muito direito de tonelagem”, analisou o diretor de visão da Clarksons, Raphael Branco, durante o seminário OSV, no último dia 11 de março, promovido pela DNV Maritime, no Rio de Janeiro (RJ).

Em 2025, vieram para o Brasil 33 embarcações de apoio marítimo de vários tipos. Para a Clarksons isso mostra que o setor está aquecido. A análise é que muitas das embarcações de bandeira estrangeira possuem nível de complexidade maior em determinados tipos de configuração. Por conta disso, o CAA (certificação de autorização de afretamento) tem um risco menor de levar o bloqueio. De acordo com a Clarksons, 50% dessas embarcações foram para o mercado ‘não Petrobras’, o que demonstra a pulverização com outros players contratantes dos serviços de suporte offshore no Brasil.

O número histórico de embarcações de apoio marítimo que trafegam em águas jurisdicionais brasileiras (AJB) foi puxado pela demanda por PSVs/OSRVs. Quando se fala em embarcações com idade média mais alta, aparecem OSRVs, RSVs (embarcações equipadas com robôs) e AHTS (manuseio de âncoras) — que são justamente especificações das principais licitações que a Petrobras colocou na rua para novas construções. “Se tem uma frota envelhecendo e a Petrobras está lançando licitações para renovar essa frota (…), ela tem confiança de que o mercado vai ficar sólido e estável por um bom tempo ainda”, avaliou Branco.

No Brasil, a Clarksons observa que a maioria das embarcações possui posicionamento dinâmico (DP2) e o país tem uma das maiores frotas com propulsão diesel-elétrica do mundo. “É uma frota mais antiga. Mas, como temos um número absoluto muito grande de embarcações, uma grande porção delas é diesel-elétrica. Temos uma representatividade a nível global muito grande no tipo de propulsão — um dado curioso que encontramos quando a gente fez essa análise”, destacou Branco.

Fonte: Portos e Navios – Danilo Oliveira
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