Consultoria alerta para risco de escassez de capacidade de embarcações offshore no mundo

  • 19/03/2026

Levantamento da Clarksons projeta oferta insuficiente de barcos de apoio para atender ao aumento da capacidade, no horizonte dos próximos 10 a 15 anos. Atual carteira no Brasil concentra um terço dos PSVs encomendados nos principais mercados mundiais

Um levantamento da Clarksons projeta que, nos próximos 10 a 15 anos, não haverá oferta suficiente de embarcações de apoio offshore no mundo para atender ao aumento capacidade, mesmo levando em conta uma demanda estável e taxas de desgaste conservadoras desses ativos, considerando a vida útil de uma embarcação em torno de 25 anos e que a frota internacional já tem uma idade média avançada, variando de 12 até 29 anos. No recorte do Brasil, a avaliação é que a Petrobras conseguiu se antecipar à necessidade futura com as encomendas de novas unidades.

A consultoria identifica que hoje existem em torno de 4.500 embarcações de apoio offshore ativas no mundo e estima que as novas encomendas representam cerca de 200 novas unidades, em torno de 4% desse total. “Se tem tendência de aumento de demanda e se tem baixa oferta de embarcações, isso vai se refletir em uma alta de preços nas embarcações de apoio marítimo. Se o cenário atual não mudar, a tendência é de um aumento vertiginoso de preços num ambiente de 10 a 15 anos”, alertou o diretor de visão da Clarksons, Raphael Branco, durante o seminário OSV promovido pela DNV Maritime, na última semana, no Rio de Janeiro (RJ).

A ideia geral é que existe aumento de demanda e a oferta talvez não acompanhe. A questão das taxas vai variar conforme o tipo de embarcação. Na visão da Clarksons, isso também demonstra que ainda existe falta de confiança de grandes armadores para investir em novas encomendas especulativas, o que é visto como um comportamento diferente de outros períodos, como entre 2010 e 2012.

No Brasil, porém, a atual perspectiva de demanda é estável e com tendência de crescimento. Dentro das novas encomendas globais, os dois principais ativos sob encomenda são PSVs (transporte de suprimentos) de grande porte e embarcações subsea, em grande parte refletindo o programa de novas construções capitaneado pela Petrobras para o mercado brasileiro.

A atual carteira do Brasil os PSVs é praticamente um terço dos barcos de apoio desse tipo encomendados no mundo, enquanto as novas embarcações do subsea representam um quinto das encomendas globais. “Hoje, se tem em torno de 180 PSVs ativos no Brasil, o maior número de PSVs absolutos ativos no mundo. Isso demonstra a grandeza e importância da nossa região no setor de apoio marítimo”, destacou Branco.

O diretor da Clarksons, Jens Behrendt, acrescentou que a Petrobras se antecipou, ao lançar o programa de renovação da frota, com contratos longos, reduzindo exposição às condições de mercado. Ele ressaltou que, mesmo considerando um cenário de demanda conservador, com barril por volta de US$ 70, há tendência de escassez de oferta a nível global entre 2028 e 2030. “Quando se tem uma ruptura dessa, independente do mercado, se tem uma pressão nas taxas e isso vai influenciar de toda maneira qualquer mercado”, apontou durante o painel.

Fonte: Portos e Navios – Danilo Oliveira
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