Brasil terá incremento de instalações de reciclagem nos próximos anos, diz professor

  • 31/08/2026

Newton Pereira, do CESS/UFF, identificou avanços e diferentes níveis de maturidade que vêm sendo alcançados por estaleiros, portos e recicladores

O professor adjunto do Centro de Estudo para Sistemas Sustentáveis da Universidade Federal Fluminense (CESS/UFF), Newton Pereira, acredita que o Brasil terá um incremento de instalações para reciclagem de embarcações nos próximos três anos. Ele destacou a importância de uma análise integrada dos diferentes atores das atividades associadas ao desmantelamento. O especialista citou levantamentos feitos em parceria com a Petrobras que apontaram a existência de recicladores no país que já atingiram o nível mais alto de maturidade.

Para o professor, o mercado brasileiro tem a chance de aproveitar as oportunidades e impedir que um grande número de ativos seja reciclado em outros países.

“O Brasil está no caminho. Deveremos ter, entre 2027 e 2029, um incremento de instalações de reciclagem para atender esse mercado e impedir ou, pelo menos, trabalhar para que elas fiquem no Brasil — não mais com a desculpa de que nós não temos infraestrutura para isso”, disse Pereira, na última semana, durante o painel sobre o mercado de desmantelamento da Navalshore 2026.

A pesquisa mencionada, publicada no exterior, avaliou a maturidade da cadeia de reciclagem de navios, onde foi desenvolvido um método para analisá-la em uma escala de 1 a 5. No nível 1 essa instalação está no nível inicial e no nível 5 alcançou a excelência. O diagnóstico foi feito com estaleiros, portos e instalações de reciclagem, que reúnem esses diferentes níveis de maturidade.

O levantamento apontou que o Brasil conta com uma cadeia em formação e que já tem um relativo nível de maturidade. Pereira disse que, apesar dos desafios para elas alcançarem o nível 5, existe uma busca por alcançar níveis mais altos. No nível 4, por exemplo, a instalação oferece condições de gerenciar, manusear e tratar Norm.

“Na época dessa pesquisa, entre 2024 e 2025, isso era um gargalo, por exemplo, para a indústria. Da mesma forma, quando a gente olha para instalação portuária, apenas uma conseguiu nível três. E quando a gente olha para recicladores, já temos um nível cinco que conseguiu atingir essa escala de maturidade”, elencou Pereira.

O coordenador do CESS/UFF ressaltou que o Brasil está conseguindo avançar de uma maneira integrada. Ele ponderou que, apesar da capacidade de realização da atividade, ainda são encontrados elementos de ‘falsa prontidão’ ou algumas intervenções que podem travar essa cadeia integrada. “O mais importante dessa pesquisa é que não adianta a gente olhar de forma segregada. Os resultados que publicamos no artigo mostram que a análise da cadeia logística reversa para reciclagem de navios tem que ser olhada integrada por dentro daqueles falsos inibidores. Se um deles não estiver pronto, você trava a cadeia”, explicou.

O professor chamou a atenção de que há riscos de perda de parte desse mercado de plataformas e de navios para reciclagem se as decisões não forem tomadas no timing correto das demandas.

“Se demorarmos e se a gente não atuar, nós já vimos três plataformas indo embora do Brasil recentemente, em dois anos, e poderemos perder outra se não tivermos capacidade”, alertou Pereira

Fonte: Portos e Navios – Danilo Oliveira
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