Cargas provenientes ou destinadas ao comércio exterior transportadas entre portos brasileiros avançaram 8,2% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Abac. Associação projeta fechar 2026 novamente com crescimento na faixa de 10%
A navegação de cabotagem registrou crescimento de 3% no terceiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. De acordo com a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), o destaque foi o transporte de cargas feeder, que alcançou 245.467 TEUs, um crescimento de 8,2% sobre os 226.808 TEUs registrados no mesmo período de 2025. Já as cargas domésticas apresentaram ligeira retração de 1,9%, com movimentação de 235.105 TEUs, ante 239.669 TEUs em igual período do ano anterior. No transporte de cargas do Mercosul, o crescimento foi de 14%, embora sobre uma base ainda relativamente pequena, totalizando 41.762 TEUs, contra 36.628 TEUs na mesma base de comparação.
Considerando o conjunto das operações das empresas brasileiras de navegação (EBNs) associadas à Abac, foram transportados 522.334 TEUs no trimestre, um aumento de 3,8% em relação ao mesmo período de 2025 (503.105 TEUs). A associação avalia que o crescimento do transporte de contêineres pelas EBNs, impulsionado principalmente pelas cargas feeder, reforça o papel estratégico da cabotagem na logística nacional. “Ao conectar os portos brasileiros às grandes rotas internacionais, as EBNs ampliam o alcance do comércio exterior e contribuem para uma operação logística mais eficiente e competitiva”, disse o diretor-executivo da Abac, Luis Resano.
No acumulado de 9 meses, as empresas de cabotagem movimentaram um total de 1.502.136 TEUs, somando cargas domésticas (669.900 TEUs), feeder (711.748 TEUs) e Mercosul (120.488 TEUs). De janeiro a setembro de 2025, as EBNs transportaram 1.438.162 TEUs, sendo 649.547 TEUs (cargas domésticas), 707.107 TEUs (feeder) e 81.508 TEUs (Mercosul).
Perspectivas
A perspectiva da Abac para o quarto trimestre é de manter esse crescimento, que pode ser até um pouco superior ao que ocorreu no terceiro trimestre. A avaliação é que haverá um volume de cargas represadas, por conta da estiagem, que devem ser movimentadas até o final do ano.
“A expectativa é que, em outubro e novembro, tenhamos uma redução de cargas e, a partir de dezembro, pode haver uma subida muito maior. O crescimento vai se manter daí para cima, fechando o ano num crescimento de quase 10%, como tem sido os anos anteriores”, disse Resano à Portos e Navios.
Ele destacou que as EBNs estão superando com grande sacrifício o período de estiagem na Amazônia, considerando as restrições de navegação por conta da redução de calado e as dificuldades de autorização junto à Antaq para cobrança da sobretaxa de seca (LWS), que compensa os custos adicionais que os armadores têm nessa época. “Felizmente, o calado máximo recomendado está na faixa de 10,2 metros essa semana, segundo dados divulgados da capitania, e há expectativa forte de já até começar a subir o nível do rio nas cabeceiras”, analisou Resano.
O diretor-executivo da Abac explicou que essa melhora das condições de navegabilidade pode levar de uma a duas semanas para se refletir em Manaus, na passagem do Tabocal e na enseada do Madeira. Há expectativa forte de que, a partir do começo novembro, talvez mais concretamente no final do mês, já não tenhamos tanta restrição e possamos navegar regularmente até Manaus”, estima Resano.







