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Estaleiro de Santa Catarina começa a transformar aço em 18 embarcações contratadas por R$ 324 milhões pela Transpetro e prepara entregas até 2028

  • 19/10/2026

Estaleiro INC inicia construção de 18 empurradores para a Transpetro em Navegantes, com contrato de R$ 324 milhões e entregas até 2028.

Uma chapa de aço entrou na linha de corte do Estaleiro Indústria Naval Catarinense (INC), em Navegantes, Santa Catarina, marcando o início da fabricação de 18 embarcações encomendadas pela Transpetro para transportar combustível marítimo nos portos brasileiros. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), a produção começou em 15 de setembro de 2026, após a conclusão dos projetos e das aprovações técnicas.

O contrato foi informado pelo estaleiro em aproximadamente R$ 324 milhões, com a primeira entrega prevista para agosto de 2027 e a última para junho de 2028. As embarcações serão utilizadas na movimentação de barcaças que transportam combustíveis destinados ao abastecimento de navios.

Estaleiro de Navegantes inicia fabricação de 18 empurradores para a Transpetro

O início da construção aconteceu durante uma cerimônia realizada nas instalações da INC, em Navegantes, no litoral de Santa Catarina. O evento contou com a presença do presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, e representantes da indústria naval.

A primeira chapa foi cortada depois da conclusão das etapas de preparação da produção. Segundo o diretor-geral do estaleiro, Josuan Moraes Jr., os projetos passaram pela aprovação da sociedade classificadora Bureau Veritas e pelos procedimentos contratuais necessários.

Com essa etapa concluída, o estaleiro iniciou a fabricação das estruturas que formarão as embarcações. As 18 unidades serão produzidas em diferentes estágios simultâneos, incluindo corte de aço, montagem de blocos, instalação de equipamentos e testes.

Contrato de R$ 324 milhões prevê entregas entre agosto de 2027 e junho de 2028

O cronograma apresentado pela INC estabelece agosto de 2027 para a entrega do primeiro empurrador. As demais embarcações deverão ser concluídas progressivamente até junho de 2028, quando está prevista a entrega da última unidade.

O contrato foi informado pelo estaleiro em R$ 324 milhões. Em maio de 2026, o governo federal havia divulgado o valor de R$ 325,3 milhões para a mesma encomenda, dentro de um pacote de investimentos da Transpetro.

A fabricação em série exige que diferentes embarcações avancem simultaneamente pela produção. Enquanto uma unidade recebe equipamentos, outras podem estar na etapa de montagem de estruturas metálicas ou preparação de componentes.

Embarcações terão 18,7 metros e motores com potência de 450 kW

Os empurradores foram projetados para operar em áreas portuárias e movimentar barcaças carregadas com combustível. Cada unidade terá até 18,7 metros de comprimento, 9,2 metros de largura e potência de 450 kW, conforme as características divulgadas pelo governo federal.

O projeto também prevê capacidade de tração estática de até 13 toneladas e autonomia de cinco dias de navegação contínua. A tração estática é uma medida da força que a embarcação consegue exercer durante suas operações.

As unidades utilizarão sistemas de propulsão azimutal, tecnologia que permite orientar os propulsores em diferentes direções. Esse recurso facilita as manobras em espaços limitados, como áreas próximas a terminais, cais e outras embarcações.

Projeto naval foi desenvolvido pela canadense Robert Allan em parceria com o estaleiro

A engenharia das embarcações contou com a participação da empresa canadense Robert Allan Ltd., especializada no desenvolvimento de rebocadores, empurradores e outras embarcações de trabalho.

O modelo recebeu a identificação RApide 1800 e foi desenvolvido especificamente para atender às operações de abastecimento marítimo da Transpetro em águas brasileiras.

A Robert Allan ficou responsável pelos projetos conceitual e básico, enquanto a INC elaborou o detalhamento e os desenhos utilizados diretamente na construção.

O projeto considera as necessidades de movimentação de barcaças e as condições encontradas nos portos. As embarcações precisam oferecer controle durante as manobras e estabilidade no posicionamento das cargas transportadas.

Empurradores vão trabalhar com 18 barcaças construídas no Amazonas

As embarcações fabricadas em Santa Catarina farão parte de um sistema logístico que também inclui 18 barcaças contratadas pela Transpetro ao Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, localizado em Manaus.

As barcaças serão utilizadas para transportar combustível marítimo, enquanto os empurradores fornecerão a força necessária para movimentá-las e realizar manobras nos terminais.

Das 18 barcaças encomendadas, dez terão capacidade de 3 mil toneladas de porte bruto e oito poderão transportar até 2 mil toneladas. As unidades terão até 70 metros de comprimento, conforme as informações divulgadas pelo governo federal.

Juntas, as duas encomendas representam aproximadamente R$ 628,8 milhões em investimentos, distribuídos entre a construção dos empurradores e das barcaças.

Novas embarcações serão utilizadas no abastecimento de navios em cinco portos

O conjunto de empurradores e barcaças será destinado ao transporte de combustível marítimo, conhecido internacionalmente como bunker. Esse produto é utilizado para abastecer diferentes tipos de navios comerciais.

Segundo o governo federal, as embarcações deverão atender operações nos portos do Rio de Janeiro, Santos, Belém, Paranaguá e Rio Grande.

A operação permitirá transportar combustíveis até embarcações que necessitam de abastecimento, utilizando barcaças movimentadas pelos empurradores.

O sistema também faz parte da estratégia da Transpetro para ampliar sua participação na logística de combustíveis marítimos. A companhia pretende organizar o armazenamento, o transporte e o fornecimento desses produtos em diferentes regiões.

Estaleiro INC amplia equipe e contrata serviços de fornecedores locais

Para executar a encomenda, a Indústria Naval Catarinense começou a reforçar sua estrutura de produção. A empresa informou que está ampliando equipes e estabelecendo parcerias para fabricar determinados componentes fora de suas instalações.

Entre as medidas estão contratação de blocos e acessórios de fornecedores externos, treinamento de profissionais locais e recrutamento de trabalhadores de outros estados.

O diretor-geral da INC apontou a escassez de mão de obra qualificada como uma dificuldade para manter o ritmo de produção previsto no contrato.

As atividades exigem profissionais especializados em fabricação metálica, montagem, soldagem, instalações industriais e diferentes serviços de construção naval.

A empresa não divulgou uma quantidade específica de novas vagas abertas exclusivamente para a encomenda dos 18 empurradores.

Construção de barcaças e empurradores possui previsão de milhares de empregos

O governo federal estima que o pacote conjunto de construção de barcaças e empurradores poderá envolver aproximadamente 1.500 empregos diretos e 4.600 indiretos durante sua execução.

A projeção corresponde às 36 embarcações contratadas nos estaleiros de Santa Catarina e Amazonas. Não representa o número de trabalhadores que serão contratados exclusivamente pela INC.

Os empregos diretos estão relacionados às atividades de fabricação e montagem, enquanto os indiretos abrangem fornecedores de materiais, equipamentos e serviços associados à produção naval.

A quantidade efetiva de postos dependerá do andamento dos contratos, das etapas industriais e das necessidades de contratação de cada empresa.

Estaleiro catarinense possui outros contratos para construção de embarcações

Fundada em 2017, a INC atua na construção de empurradores, rebocadores e embarcações destinadas a serviços portuários, marítimos e de transporte de passageiros.

Além do contrato com a Transpetro, a empresa informou que entregou duas embarcações em 2026, destinadas à Internacional Marítima e à Global Maritime.

O estaleiro também mantém a construção de duas balsas de serviço para a Seacoast, com previsão de conclusão até o final de 2026.

Outra encomenda envolve dois navios de 6 mil toneladas destinados ao transporte de celulose para a Aliança Navegação. O início da fabricação está previsto para 2027, com prazo de entrega estimado em dois anos.

Programa Mar Aberto amplia encomendas à indústria naval brasileira

Os 18 empurradores integram o Programa Mar Aberto, iniciativa do Sistema Petrobras voltada à ampliação e renovação de embarcações utilizadas em operações de transporte e apoio à indústria petrolífera.

O planejamento contempla investimentos estimados em US$ 6 bilhões entre 2026 e 2030, considerando diferentes modalidades de contratação e construção de embarcações.

Entre as iniciativas estão novos navios de transporte, barcaças, empurradores e embarcações de apoio às atividades de exploração e produção de petróleo e gás.

As encomendas estão distribuídas entre estaleiros de diferentes estados, incluindo Santa Catarina, Amazonas e Rio Grande do Sul.

O programa busca ampliar a capacidade de transporte marítimo e apoiar o fornecimento de serviços necessários às operações do Sistema Petrobras.

Construção em série exigirá planejamento para cumprir o cronograma industrial

A fabricação das 18 embarcações envolve uma sequência de atividades que precisa ser organizada para cumprir o prazo contratado. As etapas incluem processamento do aço, montagem de estruturas, instalação de sistemas mecânicos e elétricos e testes antes das entregas.

Para reduzir possíveis atrasos, a INC pretende utilizar fornecedores externos na fabricação de componentes e ampliar a qualificação de sua equipe. O estaleiro também prepara a programação de outras encomendas para os anos seguintes.

A primeira entrega permanece prevista para agosto de 2027, enquanto o encerramento do contrato está programado para junho de 2028.

Até lá, o estaleiro deverá transformar as chapas de aço em embarcações completas, destinadas ao abastecimento de navios em diferentes portos brasileiros.

Fonte: Click Petróleo e Gás – Valdemar Medeiros