PROSUB: Marinha alerta para risco de paralisia no Programa do Submarino Nuclear em 2026

  • 19/03/2026

A Marinha do Brasil (MB) emitiu um sinal de alerta em relação ao cronograma do PROSUB (Programa de Desenvolvimento de Submarinos). Para evitar uma indesejada descontinuidade nas atividades de engenharia e construção em 2026, a Força Naval aponta a necessidade urgente de um aporte suplementar na ordem de R$ 1 bilhão para o Submarino Convencionalmente Armado com Propulsão Nuclear (SCPN).

Este montante é classificado pelo almirantado como o “mínimo existencial” para que o cronograma do SN-BR Álvaro Alberto não sofra novos atrasos.

Gargalo Orçamentário

Apesar do recente fôlego financeiro proporcionado pela Lei Complementar 221/2025, que injetou R$ 1 bilhão por meio de crédito suplementar em dezembro de 2025, a pressão sobre o orçamento de 2026 permanece elevada. Dos recursos previstos, restam apenas cerca de R$ 890 milhões disponíveis para o próximo exercício, valor considerado insuficiente para cobrir os custos fixos e os contratos de transferência de tecnologia (ToT) com o Naval Group.

O risco não é apenas de ordem material, mas de capital humano. Uma paralisação parcial nos setores do Complexo Naval de Itaguaí (CNI) e no Labgene (Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica) poderia resultar na dispersão de equipes de engenheiros e técnicos altamente especializados, cuja formação leva anos e é estratégica para a soberania nacional.

O salto tecnológico representado pelo SN-BR é o grande diferencial das unidades convencionais, a propulsão nuclear garante ao Brasil a capacidade de manter patrulhas de longa duração em águas profundas, com velocidade superior e sem a necessidade de retornar à superfície para o recarregar as baterias(snorkeling), o que torna muito mais difícil a sua detecção.

A Defesa da “Amazônia Azul”

A demanda por recursos surge em um momento de inflexão na retórica do Governo Federal. Recentemente, o Presidente da República reiterou a necessidade de fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID) para garantir a dissuasão contra ameaças externas.

Para a Marinha, o nível ideal de investimento anual para o PROSUB deveria orbitar entre R$ 3 e R$ 4 bilhões. Atualmente, o programa sobrevive com repasses fracionados que, embora evitem o cancelamento de contratos internacionais, não permitem a aceleração necessária para o cumprimento das metas de longo prazo da Estratégia Nacional de Defesa.

É preciso ressaltar que o PROSUB não é apenas um projeto de construção naval, é o pilar da dissuasão estratégica brasileira no Atlântico Sul. Qualquer interrupção no fluxo financeiro do SCPN pode jogar no ralo décadas de investimento e a própria autonomia tecnológica do setor nuclear brasileiro.

O PROSUB, fruto da parceria estratégica com a França, já entregou resultados concretos na vertente convencional (diesel-elétrica):

1) Submarino Riachuelo (S 40), Humaitá (S 41) e Tonelero (S 42): Já incorporados à Armada.

2) Submarino Alte Karam (S 43): Lançado ao mar em novembro de 2025, está realizando testes e integração dos sistemas.

Fonte: Defesa Aérea e Naval – Guilherme Wiltgen