Fornecedores de motores destacam aquecimento em diferentes segmentos e concorrência acirrada

  • 17/04/2026

Fornecedores de motores celebram o bom momento da indústria naval no Brasil, com novos projetos e consultas.

O aquecimento em diferentes segmentos foi considerado positivo para grande parte das empresas, que também relataram um cenário bastante competitivo, sobretudo para conseguir fornecer para as embarcações das concorrências do sistema Petrobras. Fabricantes e distribuidores destacaram as encomendas recentes de barcos de apoio, além de outros nichos que já vinham demandantes nos últimos anos, como o de rebocadores e de navegação interior.

A procura por serviços também não arrefeceu e as empresas veem na descarbonização muitos desafios, mas com novas oportunidades para a indústria.

A Wärtsilä considera que o último ano foi bastante positivo, tanto no mercado nacional quanto globalmente. No Brasil, com a retomada da demanda por barcos de apoio marítimo, crescimento constante na navegação interior e principalmente necessidade da renovação da frota da Transpetro, a fabricante registrou resultados importantes em 2025.

“Foi seguramente o melhor ano da década. A demanda por navios novos, mais eficientes e tecnológicos trouxe bastante movimento para a indústria de maneira geral, apoiando ainda a reativação de estaleiros e entrada de novos armadores no Brasil”, observa o gerente de vendas da Wärtsilä, Genil Mazza.

Ele destaca que a Wärtsilä conseguiu se consolidar como principal fornecedor de motores para empurradores fluviais no Arco Norte e na hidrovia dos rios Paraná/Paraguai. Ele cita os projetos de dois empurradores da Amaggi, quatro empurradores para a LHG Mining, do grupo J&F, e um empurrador para a Unitapajós. A Wärtsilä também foi selecionada para o projeto dos OSRVs (combate a derramamento de óleo) que foram contratos com a CMM Offshore.

Mazza aponta que os segmentos com maiores possibilidades no Brasil seguem sendo mercante e offshore, porém a navegação interior continua trazendo muitas oportunidades, impulsionada especialmente pela necessidade de escoamento dos grãos pelo Arco Norte.

Ele acrescenta que a demanda por serviços de manutenção é crescente, seja por manutenção preventiva e atualização de sistemas, seja por reparos para recuperar equipamentos avariados por manutenção e operação indevida.

A Rolls Royce Solutions America faz um balanço bastante positivo de 2025, com a retomada do setor offshore trazendo contratos relevantes no segmento de PSVs, consolidando a posição da empresa nesse mercado.

“Paralelamente, acompanhamos a chegada ao Brasil de diversas plataformas construídas na Ásia já equipadas com motores MTU, o que amplia nossa base instalada no país e reforça a presença da marca em projetos estratégicos de óleo e gás”, destaca o gerente de vendas da Rolls-Royce Solutions para o setor marítimo na América Latina, Rodrigo Miranda.

Ele acrescenta que a demanda por serviços em motores cresceu de forma expressiva em 2025, consequência direta da expansão da base instalada nos últimos anos. Considera que, à medida que as embarcações entram em operação, cresce naturalmente a demanda por manutenção, peças e suporte técnico.

“É um ciclo saudável — e nosso foco tem sido fortalecer essa capacidade de suporte para garantir alta disponibilidade e confiabilidade aos operadores ao longo de todo o ciclo de vida dos equipamentos”, ressalta Miranda.

Ele percebe que, no ano passado, o ambiente ficou visivelmente mais ativo, com estaleiros e operadores retomando discussões sobre novas construções.

“O movimento vai além do offshore — rebocadores e navegação interior também apresentaram aumento de consultas. Tudo indica um ciclo de renovação e expansão de frota que deve gerar oportunidades relevantes para fabricantes de equipamentos nos próximos anos”, celebra Miranda.

Os segmentos da navegação com maior possibilidade de negócios para a Rolls-Royce estão ligados ao offshore — embarcações de apoio e plataformas — e rebocadores portuários. Até 2028, somando todos esses segmentos, a empresa deve ultrapassar a marca de 300 motores da série 4000 em operação no Brasil.

Para a Sotreq, as vendas do ano passado reforçam o crescimento do mercado e dão ótimos indicativos para 2026. A representante Caterpillar informa que fechou importantes projetos nos segmentos portuário e fluvial, o que reforça a capacidade e presença da empresa em diferentes segmentos.

“Houve crescimento e principalmente a indicação de que teremos novos projetos para os próximos anos”, projeta a Sotreq.

A empresa enxerga que o aquecimento do mercado não está atrelado estritamente à demanda da Petrobras.

“Além do crescimento da frota de rebocadores, mercado no qual a Caterpillar é muito forte, estamos vendo o crescimento do transporte hidroviário em diferentes corredores, o que demanda novas construções e novos motores”, destaca.

A Sotreq frisa que a linha de equipamentos atende diferentes segmentos do mercado marítimo.

O maior mercado atendido pela Scania é o de transporte de passageiros e de cargas em hidrovias, que registrou um crescimento de 60% para a empresa em 2025.

“Creditamos esse crescimento ao transporte de cargas motivado pela realização da COP30, em Belém (PA). As principais vendas da Scania no ano passado foram, justamente, para a região Norte do país”, salienta o gerente de vendas de soluções de potência da Scania Operações Comerciais Brasil, Rafael Bilmayer Ferreira.

Os segmentos da navegação com mais possibilidade de negócios para a empresa são,  principalmente, o de transporte de passageiros na região Norte e o de empurradores de carga nas hidrovias das regiões Sudeste e Sul. Já a demanda por serviços não cresceu, na percepção da Scania.

Para a companhia, a razão desse cenário foi a renovação da frota, com substituição de equipamentos ao invés da manutenção. Em contrapartida, houve a constatação de aquecimento quanto às consultas para novos projetos no mercado de motores.

“Já percebemos um aumento nas consultas de nossas equipes comerciais. Porém, neste momento são apenas consultas, sem um escopo mais definido de decisão de compra”, analisa Ferreira.

Com cenário bastante competitivo, a Pesa Catarinense relata que 2025 ficou aquém dos anos anteriores em termos de vendas de equipamentos.

“Participamos de várias oportunidades em 2025. Com o mercado competitivo e aquecido, as disputas por menor preço atingiram patamares impraticáveis. Diferente de outros anos, não consolidamos boas oportunidades em 2025”, conta o diretor comercial do segmento marítimo da Pesa, Edmundo Bittencourt Neto.

Por outro lado, ele relata que as demandas por serviços e peças estiveram muito aquecidas.

“Tivemos um ano excepcional, além de todas as nossas expectativas. 2026 será outro ano promissor, com uma quantidade enorme de docagens e manutenções em grandes quantidades. Muito superior, comparado aos últimos cinco anos”, projeta o diretor da Pesa.

Bittencourt verifica que existem muitas consultas e ótimas perspectivas para 2026 e 2027 para venda de motores de propulsão e grupos geradores auxiliares. Ele explica que as atuações no apoio offshore e no apoio portuário demandam muito da equipe, que também atende os segmentos de navegação interior e lazer.

“O mais desafiador é a concorrência interna e externa. Neste mercado vem em primeiro lugar o preço. Em segundo, a disponibilidade e, em terceiro, o suporte de pós-vendas”, pontua Bittencourt.

A Yanmar faz uma avaliação bastante positiva, após apurar crescimento de 73% em faturamento e 67% em unidades vendidas no último ano. As principais vendas continuam de empurradores para o transporte de carga geral, lanchas de passageiros e apoio portuário, praticagem e embarcações de transporte misto, como ferries de carga e passageiros.

A divisão da América do Sul da Yanmar realiza serviços pontuais e trabalha com uma rede de revendas e oficinas autorizadas.

“Tanto os serviços pontuais que fazemos quanto os dos revendedores/oficinas autorizados, todos tiveram aumento na demanda em relação a 2024”, relata o gerente da filial de Manaus (AM) da Yanmar South America, Igor Cabral.

O executivo acrescenta que o volume de consultas aumentou bastante, principalmente para os motores de média rotação.

Os segmentos da navegação com mais possibilidade de negócios para a Yanmar hoje são: cabotagem, empurradores fluviais, rebocadores portuários, lanchas de transporte de passageiros, lanchas de praticagem e navios/ferries de transporte misto (carga e passageiros). Em relação às exigências mais desafiadoras para os fornecedores de motores, Cabral aponta os prazos de entrega mais enxutos.

Em 2025, o desempenho da Cummins Brasil no mercado de motores marítimos refletiu dinâmicas regionais, com destaque para forte crescimento no Norte do país. Na região, a operação conduzida pela Noroeste Máquinas e Equipamentos registrou crescimento superior a 50% nas vendas de motores marítimos em comparação a 2024.

“O resultado foi impulsionado pelo aumento da movimentação portuária, especialmente no escoamento de grãos e cargas em contêiner, além da construção e retrofit de embarcações de carga”, afirma o gerente de pós-venda da Noroeste, Bruno Rocha.

Entre os principais fornecimentos realizados destaque para os motores de propulsão como o NTA855 (400 HP) e os modelos da Série K (600 a 1200 HP). No segmento de motores auxiliares, tiveram forte demanda as famílias B (120 a 200 HP), QSB, QSL, além de grupos geradores marítimos embarcados.

Na área atendida pela Distribuidora Cummins Minas Ltda. (DCML Solutions), o crescimento foi de dois dígitos em 2025, puxado principalmente pelo transporte fluvial de cargas e pelo dinamismo do agronegócio, que demandou novas embarcações e modernização da frota existente, segundo Horácio Júnior, diretor da unidade de negócios. A DCML atua em Minas Gerais, Pará, Amapá e Maranhão.

Nas regiões atendidas pela DCB – Distribuidora Cummins Brasil (operação própria da Cummins), 2025 foi marcado por fornecimentos específicos de alta potência, como motores da linha QSK, destinados a aplicações estratégicas no segmento marítimo. Ao longo do ano, a operação concentrou seus esforços no fortalecimento da base instalada, com expansão do atendimento técnico 24 horas, sete dias por semana, maior presença de equipes especializadas embarcadas e ampliação da oferta de peças e serviços.

“Esse posicionamento contribuiu para que 2025 fosse o ano de maior faturamento da história dos 36 anos da DCB, reforçando a robustez da operação e o foco na confiabilidade operacional e na satisfação dos clientes”, celebra a gerente de vendas de motores da Distribuidora Cummins Brasil, Andressa Camargo. A DCB é responsável pela costa litorânea, de Sergipe a São Paulo.

Na visão da maioria das empresas, as ambições da Organização Marítima Internacional (IMO) para descarbonizar a indústria marítima trouxeram muitos desafios e também muitas oportunidades. Mazza afirma que a Wärtsilä segue liderando iniciativas de eficiência energética para atender todos os armadores, com soluções desde upgrades de equipamentos e retrofits de embarcações quanto soluções de captura de carbono, eletrificação e principalmente conversão para combustíveis alternativos como etanol, metanol e amônia. Sempre de acordo com as regulamentações e possibilidades de cada operador e do país em que opera, buscando o equilíbrio entre custo e performance.

A gestão do ciclo de vida tem destaque por conta do interesse crescente por contratos de longo prazo que trazem benefícios para os clientes, contribuindo para operações mais confiáveis, mais econômicas e alinhadas com objetivos ESG (boas práticas socioambientais e de governança). Nesses contratos, são usadas tecnologia de monitoramento dos equipamentos e análise de dados com uso de IA, além da tradicional análise de especialistas que, somados ao suporte técnico remoto, permitem a extensão dos ciclos de manutenção, suportando o planejamento da manutenção e a tomada de decisão, e evitando falhas catastróficas.

O gerente de vendas da Wärtsilä entende que, num cenário com tantas possibilidades, a exigência mais desafiadora para os fabricantes de motores é saber para onde direcionar os recursos de pesquisa e desenvolvimento.

“Apostamos na pluralidade de soluções para reduzir ou zerar emissões. Em 2025, começamos a colher no Brasil os resultados de uma aposta feita lá atrás que era trazer o etanol, que produzimos em larga escala no Brasil, para o debate global e consolidá-lo com combustível marítimo”, elenca Mazza.

Ferreira, da Scania, considera que, em alinhamento com as demandas dos embarcadores, o maior desafio é a redução de emissões de gases de efeito estufa. Ele diz que a Scania investiu no desenvolvimento de sistemas de injeção aptos para utilização de 100% de biodiesel nos seus motores marítimos. Na avaliação da empresa, o aprimoramento da injeção eletrônica com o objetivo de otimizar a queima de combustível fóssil foi a maior evolução em 2025 e, consequentemente, resultou na diminuição de emissões.

O gerente de vendas ressalta que, impulsionados pelo alto custo dos combustíveis no território nacional, a Scania percebeu que os clientes começaram a valorizar, cada vez mais, as novas tecnologias em razão de proporcionar uma combustão mais eficiente e, por este motivo, garantir um menor consumo de combustível.

“Na hora do uso do equipamento, essa evolução também trouxe a possibilidade de utilização de 100% de biodiesel ou qualquer concentração entre diesel e biodiesel, sem nenhuma alteração na performance do motor”, destaca Ferreira.

Na visão da Sotreq, a busca pela redução de emissão de CO2e (dióxido de carbono equivalente) tem sido o maior desafio para os fabricantes. A empresa destaca que a Caterpillar tem investido significativamente nisso e que a nova geração de motores 3500 é capaz de utilizar etanol e metanol como combustível, além de biodiesel e HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado).

Como mais eficiência na operação e manutenção da performance dos motores contribui para redução de emissões, a Sotreq desenvolveu um sistema de monitoramento da operação e manutenção de toda a embarcação. Especificamente para motores, o ‘3S – Sotreq Safe Source’ possibilita a identificação oportunidades de redução de consumo de combustível e falhas, de maneira preditiva.

A Sotreq afirma que vem realizando diversos estudos de como utilizar motores e baterias, por exemplo, em uma solução híbrida buscando o menor custo operacional (Opex). A avaliação da empresa é que o maior desafio é integrar todos estes sistemas de maneira que a solução seja realmente eficiente.

“A Caterpillar possui um escopo bem amplo para este tipo de aplicação, tendo inclusive baterias no seu portfólio. Através de um sistema inteligente (Supervisory Controls), conseguimos monitorar e definir qual a melhor maneira de utilização dos equipamentos para que a eficiência seja maximizada”, destaca a Sotreq.

A Pesa reforça que a Caterpillar vem trabalhando fortemente e rapidamente para disponibilizar soluções para utilização de combustíveis alternativos, como o metanol e o etanol. “Sabemos que no Brasil o etanol é o foco, pela disponibilidade e facilidade para abastecimento”, salienta Bittencourt. O gerente da Yanmar em Manaus também vê no desenvolvimento para novos combustíveis, como metanol e hidrogênio, a maior evolução em termos de tecnologia para motores no último ano.

A Cummins entende que a demanda por serviços no mercado marítimo brasileiro manteve trajetória de fortalecimento em 2025, com destaque para projetos de retrofit, manutenção preventiva e ampliação da vida útil da frota instalada.

“Nas regiões atendidas pela DCML Solutions, o crescimento das vendas de motores novos foi acompanhado pelo aumento de projetos de repotenciamento e retrofit, com substituição de motores de menor rendimento por soluções mais eficientes e com menor custo de manutenção”, diz Horácio Júnior. Esse movimento, segundo ele, impulsionou também a demanda por peças genuínas e serviços técnicos especializados.

Na região Norte, sob responsabilidade da Noroeste, a Cummins verificou crescimento consistente na procura por manutenção preventiva, corretiva e suporte técnico embarcado. “O papel estratégico da malha hidroviária na logística nacional tem elevado a exigência por disponibilidade operacional das embarcações, ampliando a demanda por contratos de serviço, upgrades e pronta resposta técnica”, reforça Bruno Rocha. O gerente de pós-venda acrescenta que, para acompanhar esse cenário, a operação vem ampliando estrutura, estoque de peças genuínas e capacitação técnica.

Já nas regiões atendidas pela Distribuidora Cummins Brasil, o último ano foi marcado por avanço relevante no fornecimento de peças, reforçando a estratégia de proximidade com a base instalada. “A operação ampliou a cobertura técnica, com atendimento 24×7 e maior presença de equipes especializadas, consolidando o pós-venda como pilar estratégico da atuação marítima”, destaca Andressa Camargo, da DCB.

Ela observa que, de forma geral, o mercado tem priorizado previsibilidade de manutenção, redução de tempo de parada e aumento da eficiência operacional, favorecendo soluções integradas que combinam motores, peças genuínas e serviços especializados ao longo de todo o ciclo de vida do equipamento.

A Cummins Brasil considera que as novas contratações no setor naval, incluindo iniciativas relacionadas ao Sistema Petrobras, contribuíram para um ambiente mais dinâmico de consultas e análises técnicas ao longo de 2025. Na região Norte, a fabricante observa crescimento nas consultas para novos projetos e iniciativas de repotenciamento.

“A operação conduzida pela Noroeste registrou aumento superior a 10% nas consultas para novos fornecimentos e substituição de sistemas de propulsão por motorização Cummins, indicando perspectiva positiva para os próximos ciclos de investimento”, diz Rocha.

Na área atendida pela DCML Solutions, embora ainda não haja reflexo direto nas vendas associadas especificamente ao Sistema Petrobras, a empresa verifica aumento relevante nas consultas e estudos técnicos para novas embarcações, upgrades e conversões.

“Antecipando esse movimento, a operação vem reforçando estoques de motores de alta potência no Brasil e estruturando sua rede para atender à demanda potencial”, aponta Horácio Júnior.

Já nas regiões sob responsabilidade da DCB também houve crescimento nas consultas técnicas e análises de viabilidade para novos projetos.

“Esse movimento demonstra que o mercado está em fase ativa de planejamento e estruturação de investimentos, o que tende a se refletir gradualmente em novos fornecimentos nos próximos ciclos”, aponta Andressa.

O portfólio da Cummins abrange motores marítimos que vão de 150 hp a 4.200 hp. De forma geral, a percepção da Cummins é de um mercado em retomada estruturada, com estaleiros fortalecidos, renovação de frota em pauta e maior busca por soluções de alta confiabilidade, eficiência operacional e suporte técnico de longo prazo. O grupo entende que os segmentos com maior potencial de negócios no mercado marítimo brasileiro atualmente estão diretamente ligados à logística de carga e à cadeia de suprimentos estratégica do país.

A Cummins também vê o transporte hidroviário de grãos como principal vetor de crescimento, impulsionado pelo avanço do agronegócio e pela necessidade de mais eficiência no escoamento da produção. Em paralelo, há forte potencial nas embarcações voltadas ao transporte de combustíveis, cargas gerais e abastecimento da Zona Franca, especialmente na região Norte.

No segmento fluvial, a Cummins verifica ainda empurradores e rebocadores, essenciais para operações de carga em rios e hidrovias, além de embarcações do tipo VSF (Veículos de Suprimento Fluvial). No ambiente marítimo e offshore, o grupo observa potencial consistente, com demanda para embarcações de apoio, mergulho e manuseio de âncoras, especialmente em projetos associados à renovação de frota e modernização operacional.

Já o segmento recreacional também permanece ativo em determinadas regiões, impulsionado por nichos específicos de mercado. A Cummins avalia que, de forma geral, os segmentos com mais perspectiva de crescimento são aqueles que exigem alta confiabilidade, disponibilidade operacional e eficiência energética — atributos que favorecem soluções de motorização, repotenciamento e suporte técnico integrado ao longo do ciclo de vida das embarcações.

A Cummins Brasil aponta que, no último ano, a evolução tecnológica no segmento marítimo esteve fortemente associada a três pilares principais: eficiência energética, controle eletrônico avançado e transição para combustíveis de menor impacto ambiental. A empresa afirma que vem ampliando investimentos em plataformas de alta eficiência, com motores que combinam menor consumo específico de combustível, maior densidade de potência e intervalos de manutenção otimizados — fatores que impactam diretamente o custo total de operação (TCO) das embarcações.

Outro avanço relevante, segundo a Cummins, é a crescente incorporação de sistemas eletrônicos embarcados, ampliando o controle operacional, o monitoramento de performance e a confiabilidade dos equipamentos. A análise da empresa é que, mesmo em regiões onde ainda há predominância de motores mecânicos, observa-se avanço gradual na adoção de soluções eletrônicas, que permitem mais previsibilidade de manutenção e melhor gestão da frota.

Em paralelo, o mercado acompanha a agenda global de descarbonização, com evolução em tecnologias dual fuel, sistemas híbridos e maior diversificação de combustíveis, incluindo biocombustíveis e gás natural. Para a Cummins, essas iniciativas reforçam o compromisso do setor com redução de emissões, eficiência energética e alinhamento às regulamentações ambientais nacionais e internacionais.

A Cummins constata que os projetos mais recentes de embarcações trazem desafios para os fornecedores de motores cada vez mais relacionados à combinação entre eficiência energética, conformidade regulatória e suporte operacional de longo prazo. Armadores e estaleiros exigem motores com menor consumo de combustível, maior densidade de potência e vida útil ampliada, além de conformidade com as regulamentações ambientais vigentes no Brasil e em mercados internacionais.

A leitura da Cummins é que eficiência operacional deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico. Outro ponto crítico, na visão da empresa, é a estrutura de pós-venda. A disponibilidade imediata de peças, a agilidade logística e o suporte técnico especializado são fatores decisivos na escolha da motorização. Em operações onde o tempo de parada impacta diretamente a rentabilidade, o fornecedor precisa oferecer não apenas o equipamento, mas um ecossistema robusto de atendimento e suporte contínuo.

A Cummins também observa maior sensibilidade a custo em determinados segmentos, especialmente nas faixas de menor potência. Nesse cenário, o entendimento é que fornecedores precisam equilibrar competitividade com confiabilidade e suporte técnico — atributos que impactam diretamente o custo total de propriedade (TCO) ao longo do ciclo de vida da embarcação.

Para a Rolls-Royce, o principal desafio é a transição energética, que hoje não tem uma ‘resposta única’. Miranda lembra que, dependendo da aplicação, fala-se em metanol, etanol, amônia, GNL, hidrogênio e sistemas híbridos.

“Não existe bala de prata. Cada combustível traz suas próprias demandas em termos de infraestrutura, segurança, custo e disponibilidade”, analisa Miranda.

Ele chama a atenção que no Brasil o etanol surge como alternativa interessante pela experiência do país e pela disponibilidade do insumo. O ponto central, no entanto, é que cada rota tecnológica exige investimentos pesados em desenvolvimento, certificação e cadeia de fornecimento. Além disso, a grande decisão estratégica para toda a indústria é antecipar o momento em que cada mudança de fato se consolidará.

“Antecipar demais é desperdício. Atrasar é perda de posição. O timing é tão estratégico quanto a tecnologia em si”, indaga Miranda.

O gerente observa que, nos últimos anos, os avanços mais relevantes estão no controle de emissões e no aumento da vida útil dos equipamentos.

“Os motores MTU atingem hoje os níveis mais rigorosos de emissões exigidos pelo setor, sem abrir mão de desempenho e confiabilidade. Ao mesmo tempo, conseguimos aumentar substancialmente a vida útil dos componentes — resultando em intervalos de manutenção mais longos e menor custo operacional para o armador”, destaca Miranda.

Fonte: Portos e  Navios – Danilo Oliveira
17/04/2026|Seção: Destaque Superior 300px, Notícias da Semana|Tags: , |