Após incorporação da ‘Tamandaré’ (F200) com percentual em torno de 30%, força naval prevê índices próximos de 50% nas unidades seguintes, podendo chegar a 65% num eventual segundo lote, a ser contratado
A Marinha do Brasil (MB) discute formas de ampliar o índice de conteúdo local a partir dos próximos projetos de fragatas classe Tamandaré. A primeira das quatro unidades (F200), incorporada ao setor operativo da força naval nesta sexta-feira (24), possui em torno de 32% de conteúdo nacional, ao passo que as outras três devem atingir quase 50% de conteúdo nacional.
Com a possibilidade de contratação de um segundo lote com mais quatro fragatas, o almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, comandante da Marinha, disse que existe todo um processo burocrático de discussão contratual, que envolve preços da cadeia de suprimentos e formas de efetivamente incorporar um nível mais alto de conteúdo nacional.
“Assumimos a discussão para os contratos das próximas fragatas com conteúdo nacional que chegue a 60%-65%, privilegiando a base industrial de defesa (BID) e preservando empregos e renda”, disse Olsen em entrevista a jornalistas, após a cerimônia de incorporação da fragata Tamandaré ao setor operativo da Marinha, na Base Naval do Rio de Janeiro.
Ele considera que a BID tem sido bastante demandada e que, com a encomenda de mais quatro fragatas, é natural que as empresas locais enxerguem longevidade de, pelo menos, 10 anos nas atividades no cluster de Itajaí (SC), onde está o estaleiro TKMS Brasil Sul, que detém as fragatas em sua carteira de construção.
Segundo Olsen, essa visão justifica investimentos em infraestrutura e em pessoal. Ele chamou a atenção para a necessidade de ganho de escala, com o amadurecimento do projeto com fins de exportação, além da demanda interna. “Não podemos nunca imaginar que um estaleiro da proporção do TKMS Brasil Sul possa ficar sem encomendas. Naturalmente, produtos de defesa exigem, para além das compras governamentais, capacidade de exportação”, ponderou.
O comandante da Marinha também acredita na possibilidade de reduzir o tempo de construção das futuras fragatas, na medida em que avançar a curva de aprendizado dos projetos. A primeira fragata foi construída em cerca de quatro anos, considerando o primeiro corte de chapa em agosto de 2022 e sua incorporação ao setor operativo em abril de 2026. “A tendência é que se reduza esse período [4 anos] em função da transferência de tecnologia e do aperfeiçoamento do processo produtivo”, projetou Olsen.
Tamandaré
A fragata Tamandaré, construída no Brasil, contou com mão de obra local e transferência de tecnologia alemã. Segundo a Marinha, o navio tem tecnologia de última geração, com sensores avançados, sistemas de combate integrados e armamentos de alta precisão e foi projetada seguindo padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Com cerca de 3.500 toneladas, plataforma de pouso e hangar para helicópteros, a fragata Tamandaré é definida pela MB como um ‘salto tecnológico’ para a esquadra. A força naval informou que, como navio-escolta, será usada na defesa de unidades de maior valor, além de ações de superfície, operações antissubmarino e em missões internacionais.
A embarcação é dotada de características stealth, que reduzem a possibilidade de ser detectada por radares e permitem o uso com eficiência em operações navais complexas. A Marinha informou que a fragata será um dos navios mais modernos da força e será usada no monitoramento e controle do espaço marítimo brasileiro, na defesa das ilhas oceânicas, na proteção a estruturas consideradas críticas e na salvaguarda das comunicações marítimas de interesse nacional.
Além da Tamandaré, outros três navios fazem parte do programa e estão sendo construídos no estaleiro catarinense. A fragata Jerônimo de Albuquerque iniciará a etapa de testes de mar no segundo semestre de 2026, a Cunha Moreira está na fase de conclusão da montagem do casco e tem cerimônia de lançamento ao mar prevista para 17 de junho e a Mariz e Barros começou a ser construída em janeiro e seu batimento de quilha será feito em outubro deste ano.






