Conselho diretor do fundo priorizou valores para 4 navios-tanque da Transpetro e para fase inicial do complexo portuário no Espírito Santo. Construção de novas embarcações concentrou R$ 3,3 bilhões, de um total de R$ 6 bilhões analisados na 62ª reunião ordinária do CDFMM
O Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) priorizou cerca de R$ 6 bilhões para financiamentos do setor naval e de infraestrutura, sendo R$ 3,3 bilhões para construção de novas embarcações. Do total analisado, R$ 2,6 bilhões são destinados à construção de embarcações de transporte de carga, com destaque para prioridade de R$ 2,2 bilhões para quatro navios tanque tipo MR1 (Medium Range 1) para transporte de produtos claros e escuros de petróleo que, futuramente vão aumentar a frota da Transpetro.
Essa licitação, que está em curso, foi lançada em novembro de 2025, e faz parte do programa Mar Aberto, do Sistema Petrobras. Após os critérios de equalização de custos, a Ecovix, proprietária do Estaleiro Rio Grande (RS), foi considerada a primeira colocada neste certame, que segue em análise por parte da comissão de licitação da subsidiária da Petrobras.
No mesmo segmento de carga, foi concedida prioridade de R$ 227,7 milhões para a GDE Transportes para a construção de 21 balsas-tanque, sendo 9 de 1.500 m³ e 12 de 4.500 m³, no estaleiro Juruá (AM). A Navegação Aliança, obteve prioridade e R$ 136,9 milhões, para construção de 3 navios graneleiros de 4.700 toneladas, no estaleiro Enseada (BA). Já a Companhia de Navegação da Amazônia (CNA) tem uma prioridade de R$ 23,4 milhões para a construção de 5 barcaças graneleiras tipo racked, 2.400 TPB, no RBA Estaleiro da Amazônia, com valor total de R$ 23,4 milhões.
Porto Central
Outros R$ 2,2 bilhões correspondem à construção da primeira fase (1A) do Porto Central, em Presidente Kennedy (ES). Por ser um projeto de infraestrutura, foi estabelecida uma espécie de ‘contenção’ de até 48% de financiamento, conforme portaria 747/2025 do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que prevê um limite ao valor concedido para financiamento para projetos portuários, de forma a garantir a maior parte do orçamento para projetos da indústria naval.
Essas deliberações ocorreram na 62ª reunião ordinária do CDFMM, realizada no último dia 18 de março de 2026, na modalidade híbrida. O detalhamento foi publicado em resolução do CDFMM no Diário Oficial da União desta terça-feira (5), quando começa a ser contabilizado o prazo de 450 dias para que os interessados busquem o crédito junto aos agentes financiadores do fundo setorial.
Além dos R$ 4,8 bilhões para projetos de construção de embarcações de transporte de carga e obras de infraestrutura portuária, foi priorizado na reunião um total de R$ 1,3 bilhão para outros segmentos, dos quais R$ 614,7 milhões para construção de embarcações de apoio à navegação. Este valor compreende R$ 462,1 milhões pleiteados para a Wilson Sons para a construção de 6 rebocadores RSD 2513, de 80 toneladas de tração estática (TTE), em seu estaleiro, no Guarujá (SP). Além de R$ 152,6 milhões para a GDE Transportes referente à construção de 14 empurradores fluviais, sendo 9 de 600 hp, 2 de 900 hp e 3 de 1.200 hp, no estaleiro Juruá (AM).
Docagem
Projetos de Docagem, reparo e manutenção concentraram R$ 423,6 milhões das prioridades, em grande parte para embarcações de apoio marítimo da CBO e Wilson Sons. A primeira recebeu duas prioridades, sendo uma de R$ 160,5 milhões para a docagem de 12 embarcações de apoio marítimo (CBO Parintins, CBO Copacabana, CBO Alessandra, CBO Oceana, CBO Renata, CBO Arpoador, CBO Itajaí, CBO Aliança, CBO Wiser, Siddis Sailor, CBO Mistral e CBO Carolina.
A outra, de R$ 26,3 milhões, referente à docagem de outras duas embarcações de apoio marítimo — AH Varazze e CBO Wave. Ambas preveem serviços no estaleiro do grupo, Aliança (RJ). Já a prioridade da Wilson Sons está associada ao reparo com docagem/classificação de 17 rebocadores, no estaleiro do grupo no Guarujá (SP), com valor total de R$ 170 milhões.
O CDFMM também concedeu para a Belov Engenharia prioridade de docagem do OTSV Belov Mares, no estaleiro São Miguel (RJ) e para docagem de 2 SDSV (Belov Humaitá e Belov Cidade Ouro Preto), no Estaleiro São José, com valor total de R$ 33,8 milhões. A Finarge Apoio Marítimo pretende realizar a docagem de duas embarcações de apoio marítimo, denominadas AH Giorgio P e AH Liguria, no estaleiro Aliança (RJ), do grupo CBO, com valor total priorizado de R$ 27 milhões. Já a Camorim obteve um total de R$ 6 milhões em prioridades para a manutenção e reparo de 3 rebocadores: C Itacuruçá, no estaleiro Belov (BA), C Turquesa no Eram (PA) e o Atlântico no Estaleiro Camorim (RJ), com valor total de R$ 6 milhões.
O conselho do FMM priorizou ainda R$ 97,8 milhões para expansão de modernização do estaleiro Farol de São Tomé, que compreende a expansão da instalação industrial, localizado no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), no Norte Fluminense. No segmento de apoio marítimo, a Oceânica Engenharia e Consultoria obteve prioridade de R$ 81 milhões para a construção de um PSV (transporte de suprimentos), no estaleiro Enav Reparo Naval.
Duas empresas que pretendem modernizar embarcações conseguiram prioridades para essa finalidade. A Belov Engenharia, com projeto de modernização de 3 SDSV (Belov Amaralina, Belov Humaitá e Belov Cidade Ouro Preto), no Estaleiro São José, com valor total de R$ 34,9 milhões. Além da Galáxia Navegação, com o pleito de financiamento para a modernização de 1 OSRV (GNL 1015), no estaleiro São Miguel (RJ), com valor total de R$ 5 milhões.






