VP executivo do Syndarma/Abeam vê Brasil como ‘porto seguro’ para investimentos no segmento offshore nos próximos anos e destaca renovação da frota de apoio marítimo com encomendas em Itajaí e Navegantes
O Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) e a Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam) avaliam que a retomada de projetos locais e a priorização da bandeira brasileira refletem um compromisso de longo prazo com o segmento de apoio marítimo, contribuindo com a soberania energética e o fortalecimento da indústria nacional. A avaliação da entidade é que o país vem se posicionando como um ‘porto seguro’ estratégico para investimentos do setor offshore, especialmente com a expectativa de exploração na Margem Equatorial. A frota de barcos de apoio iniciou um processo de renovação.
Na última semana, foi entregue o PSV Starnav Elektra, primeira embarcação de apoio do Mar Aberto, programa de renovação da frota do Sistema Petrobras. A embarcação foi construída com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), com financiamento do BNDES. É a primeira de uma série de 10 PSVs (transporte de suprimentos) híbridos, que integram a carteira de construção do estaleiro Detroit (SC). As embarcações serão incorporadas à frota da Starnav e vão operar para a Petrobras.
Outras embarcações da Bram Offshore e da DOF serão construídas no estaleiro Navship (SC). “Isso tudo representa para o setor a retomada da política pública para que se tenha efetivamente a prioridade da bandeira brasileira. Um compromisso de longo prazo, não só com a navegação brasileira, mas também com a indústria naval”, disse à Portos e Navios o vice-presidente executivo do Syndarma/Abeam, Dino Antunes Batista.
Uma análise mercadológica da Clarksons, com base em cenários de mercado nacional e internacional, apontou um desequilíbrio entre demanda e oferta que aumenta a urgência da renovação da frota de apoio offshore. A avaliação é que o período sem construções e as novas encomendas da Petrobras ao segmento aumentaram a necessidade de barcos de apoio nos próximos anos. O levantamento também chama a atenção para as altas taxas de utilização das embarcações, que contribuíram para o aumento da idade média da frota. Esse é um cenário que se replica para todos os tipos de embarcação, inclusive PSVs.
Batista, do Syndarma/Abeam, observa que a dinâmica mundial mostra um momento de expectativa de aumentos das taxas diárias, bem como expectativa de novas construções. Ele confirma que existe um gap entre essas novas construções e a pressão da demanda.
“Não vai dar tempo para essas novas embarcações chegarem no mercado mundial, o que dá essa pequena expectativa de aumentos. No Brasil, tem essa expectativa com a Petrobras, só que num cenário muito complexo, onde você tem certamente a questão da guerra do Oriente Médio trazendo um ruído muito grande ao mercado”, analisou Batista.
Em agosto, a frota de apoio marítimo em águas jurisdicionais brasileiras (AJB) totalizou 460 embarcações, ante 466 em julho e 469 em junho. O número ficou próximo das 461 unidades contabilizadas em agosto de 2025, de acordo com o relatório mais recente do Syndarma/Abeam. Do total contabilizado ao final de agosto, 395 correspondiam a unidades de bandeira brasileira e 65 de bandeira estrangeira. As embarcações com bandeira nacional corresponderam a 86% da frota de apoio offshore, enquanto 14% representaram as embarcações de apoio com bandeiras estrangeiras.
Nos últimos dois anos, houve algumas operações entre tradicionais empresas de apoio marítimo que chamaram a atenção do mercado no Brasil. Entre os acordos concluídos recentemente estão a combinação de negócios entre a OceanPact e a CBO e a compra da Wilson Sons Ultratug pela TideWater, dos EUA. Além da operação brasileira da Maersk Supply Service adquirida por um consórcio liderado pela ASM Texas Corp.
A leitura é que as recentes negociações entre grandes empresas representam um sinal positivo da relevância e atratividade do mercado brasileiro no cenário internacional. Nos últimos meses, o preço do barril de petróleo já ultrapassou os US$ 100 algumas vezes, como expectativa de aumento da busca por segurança energética dos países, o que representa uma busca por mercados seguros e confiáveis para importação de petróleo, o que é vista como uma grande oportunidade pro Brasil.
Para o Syndarma/Abeam, o Brasil tem tudo para aproveitar oportunidades com a continuidade da exploração nas Bacias de Campos e de Santos, além da nova fronteira na Margem Equatorial.
“É muito difícil você conseguir precificar, calcular exatamente o que que isso vai representar no médio e longo prazo, mas temos certamente uma ótima expectativa para o mercado brasileiro e isso vai trazer certamente também ótimas oportunidades no mercado de apoio marítimo”, projeta Batista.








