Bahia concentra 94% dos R$ 11,9 bi de projetos do fundo naval para o Nordeste

  • 25/03/2026

Fundo de Marinha Mercante prevê 46 mil empregos diretos na região em 26 obras, com Estaleiro Enseada do Paraguaçu ancorando os maiores projetos offshore da carteira naval nordestina

Nordeste é a segunda região com maior volume de recursos na carteira de projetos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) apresentada nesta terça-feira (24) pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, em Brasília. Dos R$ 41,7 bilhões previstos para investimentos em indústria naval e infraestrutura portuária em todo o país, R$ 11,9 bilhões vão para a região, com expectativa de 46.041 empregos diretos em 26 obras. Apenas o Sul recebe mais — R$ 14,1 bilhões. O Sudeste fica com R$ 10,4 bilhões e o Norte, com R$ 5,3 bilhões.

Dos recursos nordestinos, R$ 11,2 bilhões — 94% do total regional — ficam na Bahia, que concentra 45.016 dos 46.041 empregos diretos previstos para a região. O Ceará recebe R$ 636,1 milhões vinculados a um projeto de infraestrutura portuária, com 1.000 empregos diretosPernambuco aparece com R$ 6,7 milhões e 25 empregos em dois serviços de reparo e docagem. A carteira nordestina envolve 16 empresas e 4 estaleiros.

Segundo o ministro Silvio Costa Filho, os números refletem a consolidação de uma política pública de escala. O ciclo atual superou os R$ 87 bilhões em projetos aprovados, ante R$ 22,8 bilhões registrados entre 2019 e 2022, com crescimento expressivo nas contratações e impacto direto sobre emprego e competitividade da indústria naval brasileira.

Enseada do Paraguaçu ancora projetos offshore de alta complexidade

Estaleiro Enseada do Paraguaçu, em Maragogipe (BA), foi concebido para construção de plataformas offshore, navios especializados e unidades de perfuração — o maior investimento privado da indústria naval brasileira, com cerca de USD 1 bilhão já aportados, capacidade de processar mais de 100 mil toneladas de aço por ano e 1.000 metros de cais.

Em recuperação judicial, o estaleiro retomou as operações em janeiro de 2026 com a entrega do primeiro lote de 13 barcaças mineraleiras para a LHG Mining, projeto executado em parceria com a Tenenge (Grupo Novonor) que gerou cerca de 600 empregos diretos e até 900 indiretos no Recôncavo Baiano. A encomenda total é de 80 barcaças, cada uma com capacidade de transportar 2.900 toneladas.

 

Em janeiro, o Estaleiro Enseada fez a entrega do primeiro lote de 13 barcaças mineraleiras construídas ao cliente Lhg Mining, com capacidade de transportar 2.900 toneladas cada. Foto: Estaleiro Enseada/Divulgação

 

Construção e reparos de navios na Bahia e em Pernambuco

Os novos contratos do FMM representam uma etapa seguinte nessa reativação. O maior projeto individual é o da DOF Subsea Brasil, com R$ 2,8 bilhões e 1.460 empregos diretos, destinado à construção de 4 embarcações RSV (Rover Support Vessel) — navios que operam em suporte a equipamentos remotamente controlados no fundo do mar.

O segundo bloco é do grupo CMM Offshore Brasil, com 6 projetos de construção de navios de resposta a derramamentos de óleo (OSRV), aprovados em outubro de 2025, com valores individuais entre R$ 458,5 milhões e R$ 485,2 milhões e total combinado de R$ 2,813 bilhões, com validade de resolução até janeiro de 2027.

Estaleiro Belov Offshore, em Simões Filho (BA), abriga três projetos da Belov Engenharia S.A., aprovados em janeiro de 2026: construção de navio RSV (R$ 701 milhões), navio de suporte a mergulhadores em águas rasas — SDSV (Shallow Dive Support Vessel) (R$ 230,2 milhões) — e rebocador oceânico (R$ 38,5 milhões), com validade até abril de 2027.

Pernambuco aparece na carteira com dois projetos de reparo e docagem da Posidonia Shipping & Trading Ltda. no Estaleiro Atlântico Sul, em Suape — reparo de balsa oceânica (R$ 5,2 milhões) e reparo de rebocador (R$ 1,6 milhão), aprovados em dezembro de 2024, com validade até setembro de 2026. Os dois projetos totalizam R$ 6,8 milhões e 25 empregos diretos, operação restrita a manutenção de embarcações de terceiros.

Projetos aprovados aguardam contratação

A distinção entre aprovação e contratação define o estágio real de cada projeto. Nacionalmente, os investimentos aprovados pelo FMM no ciclo 2023–2026 somam R$ 87,7 bilhões, mas o valor efetivamente contratado — com recursos comprometidos junto ao agente financeiro — é de R$ 14,2 bilhões, ou 16% do total aprovado. Para o Nordeste, os R$ 11,9 bilhões seguem o mesmo padrão: são projetos com aprovação do CDFMM, pendentes de contratação dentro dos prazos de validade das resoluções.

Na 12ª Reunião Extraordinária do CDFMM, realizada no dia 25 de fevereiro, foram priorizados três projetos nordestinos. No Ceará, a Nordeste Logística S.A. tem aprovação para construção de infraestrutura portuária no valor de R$ 795,1 milhões, com 1.000 empregos diretos, validade até maio de 2027. Na Bahia, a ATU 12 e a ATU 18 Arrendatárias Portuárias têm projetos de modernização de terminais avaliados em R$ 45,4 milhões e R$ 87,4 milhões, com 72 empregos diretos combinados e mesma validade.

O projeto de maior valor individual pendente é o da Bahia Mineração S.A. (BAMIN) — infraestrutura aquaviária de R$ 4,597 bilhões, aprovado em setembro de 2024, que representa 39% de toda a carteira regional. A resolução de prioridade vence em junho de 2026. Sem contratação junto ao agente financeiro até essa data, a aprovação expira e o processo precisa ser reapresentado ao CDFMM.

Retomada nacional do setor naval

A indústria naval brasileira operava com cerca de 12 mil trabalhadores no período de menor atividade e registra hoje mais de 55 mil empregos diretos — alta de 358%. A carteira contratada cresceu de R$ 1,6 bilhão para R$ 14,2 bilhões entre os dois ciclos, com 2025 como o ano de maior execução financeira da história do fundo.

Para o secretário-executivo do Ministério de Portos e Aeroportos e presidente do CDFMMTomé Franca, o volume de contratações fortalece a logística nacional e amplia a eficiência e a competitividade do país. A próxima reunião ordinária do CDFMM está marcada para 18 de junho, com prazo de submissão de novos projetos até 20 de abril.

Fonte: Movimento Econômico – Paulo Goethe