Com certidões negativas obtidas na última semana, grupo Mauá espera ampliar atividades no estaleiro e avançar no plano de recuperação judicial
O Estaleiro Ilha S.A. — Eisa (RJ) vêm realizando serviços de desmantelamento de embarcações, desde 2023, e também acompanha oportunidades no mercado para a construção parcial ou total de módulos da indústria offshore. Atualmente, o grupo Mauá já constrói estruturas metálicas, como ‘pancakes’, para módulos na Ilha da Conceição, em Niterói (RJ), mas não descarta a possibilidade de utilização das instalações localizadas na Ilha do Governador, também na Baía de Guanabara. Há perspectivas positivas nesse segmento por conta do cronograma de novas plataformas previstas no plano de negócios da Petrobras, o que pode gerar novas demandas nos próximos anos.
O CEO do grupo Mauá, Miro Arantes, destacou que o Eisa é o único estaleiro na Baía de Guanabara com licença para atividades de desmantelamento de embarcações. Segundo o executivo, o estaleiro já desmantelou embarcações que faziam parte da recuperação judicial da empresa, incluindo as estruturas de três PSVs (transporte de suprimentos) e de um petroleiro da PDVSA. Um antigo navio da Log-In está em fase final de desmantelamento. Parte do aço proveniente desses desmontes já foi vendida.
Arantes explicou que o Eisa possui restrições de calado, em torno de 4,20 metros, que tiram competitividade para oferta de serviços de reparo naval, que faz com que o grupo os concentre no Mauá, na Ponta D’Areia, em Niterói. O calado do Eisa é limitado a esse patamar devido a um duto da Transpetro que atravessa do continente para a localidade da Ilha Redonda, na Baía de Guanabara. Além disso, a instalação não possui um dique para reparos.
O planejamento do grupo para o Eisa prevê a continuidade de atividades de desmantelamento no curto prazo e o monitoramento de oportunidades para a construção total ou parcial de estruturas metálicas para a indústria offshore.
Arantes contou que o estaleiro vem cotando preços para desmantelamento de outras embarcações, incluindo dois PSVs. Arantes ponderou que essa é uma atividade que ainda possui custos muito marginais no Brasil, apesar de envolver muitas variáveis, de cunho técnico e ambiental que exigem cuidados e serviços especializados no processo de engenharia reversa.
No caso da construção de estruturas para módulos offshore, ou a construção dos módulos propriamente dita, Arantes disse que é possível fazer o load out para transportar essas estruturas, com a utilização de balsas, para a realização dessa atividade no Eisa. Ele contou que o grupo já foi procurado por alguns parceiros para alguns projetos, mas as partes não chegaram a um acerto quanto à viabilidade econômica.
Certidões
Na semana passada, os estaleiros Mauá e Eisa obtiveram as certidões negativas de débito (CNDs) junto a órgãos municipais, estaduais e federais. As CNDs são importantes para os estaleiros do grupo Mauá avançarem nos processos de recuperação judicial, além de serem documentações importantes para que essas empresas participem de eventuais concorrências em qualquer uma dessas três esferas de governo.







