Estaleiros especializados em embarcações de serviço apostam na renovação da frota e se preparam para oferecer mais tecnologia

  • 25/02/2026

A direção do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) está otimista com a possibilidade de retomada das encomendas a estaleiros brasileiros. Destaque para os que produzem embarcações especializadas e de apoio, por causa das encomendas anunciadas pela Transpetro, subsidiária da Petrobras, e pela própria estatal e pela exigência feita pelas empresas de parcela de conteúdo local tanto em novos barcos próprios como em afretados. O presidente do Sindicato, Ariovaldo Rocha, aprova a iniciativa e informa que ela já começa a apresentar resultados.

Segundo ele, a decisão já está refletindo na geração de milhares de empregos, especialmente em Santa Catarina, onde se consolidou grande parte dessas encomendas e onde se tem estaleiros altamente especializados na construção de embarcações de apoio. Rocha avalia que o segmento de embarcações de apoio offshore é um dos setores mais competitivos da indústria naval brasileira e deve ser beneficiado com novas encomendas.

Segundo o presidente do Sinaval, incluindo o ciclo passado e a retomada recente das encomendas, os estaleiros nacionais já entregaram quase 300 embarcações do tipo, com elevado padrão de qualidade, preços competitivos e cumprimento de prazos. “Trata-se de um segmento no qual o Brasil tem bastante experiência, escala produtiva e reconhecimento internacional”, garante.

O Sinaval avalia que, somadas às contratações da Petrobras, as encomendas da Transpetro para renovação de frota reforçam o movimento de retomada do setor e, como resultado, a indústria naval e offshore brasileira atingiu a marca de aproximadamente 50 mil empregos em novembro de 2025. “É um sinal claro de retomada da atividade produtiva e da confiança no setor”, afirma Rocha.

Ele alerta, no entanto, que, apesar desse avanço, a questão das garantias financeiras ainda representa empecilho para novas construções porque alguns contratos já assinados ainda não puderam ter sua eficácia confirmada. Ele cita como exemplo seis OSRVs (Oil Spill Response Vessel) da empresa CMM que devem ser construídos no Estaleiro Enseada, na Bahia.

A falta de instrumentos adequados de garantias é apontada como um dificultador para o acesso de armadores aos recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM). Esse fator, avalia o presidente do Sinaval, vem atrasando o início das obras e a geração de milhares de empregos. “A criação de um fundo garantidor é fundamental para destravar de forma definitiva as obras no setor”, assegura.

Outro problema apontado pelo dirigente é em relação à mão de obra especializada para atender à demanda por novas embarcações, incluindo as especializadas. Ele ressalta, no entanto, que essa dificuldade não se restringe aos estaleiros brasileiros e trata-se de um gargalo global na construção naval.

De acordo com Ariovaldo Rocha, será necessário requalificar, qualificar e formar um grande contingente de trabalhadores nos próximos anos diante da expectativa de retomada das encomendas. Mas ele lembra que o setor tem histórico de alta empregabilidade e já chegou a empregar 82 mil trabalhadores, cerca de 60% a mais que os aproximadamente 50 mil atuais.

O presidente do Sinaval considera essencial, para garantir a formação em curto e médio prazos de profissionais capacitados a atender à demanda esperada e à especialização com a incorporação de novas tecnologias, o fortalecimento da parceria entre os governos federal e estaduais, estaleiros e o Sistema S. “É preciso garantir programas contínuos de formação, capacitação e atualização profissional, compatíveis com as novas exigências tecnológicas e ambientais da indústria naval contemporânea”, explica.

Essa formação passa também pela graduação e especialização universitária. No Rio de Janeiro, a Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) oferece o curso de engenharia naval, criado em 1959 para dar suporte a então nascente moderna indústria de construção naval no Brasil. Segundo seu coordenador, o professor Ulisses Admar Barbosa Vicente Monteiro, desde então foram formados pela instituição mais de 1,1 mil engenheiros navais.

Ele conta que, no período do recente boom da construção naval no Brasil, ligado à área de petróleo e gás offshore, a UFRJ chegou a formar 60 engenheiros navais por ano e em anos recentes o curso tem formado, em média, 40 alunos anualmente. O professor Ulisses Monteiro informa, no entanto, que o número tem crescido, refletindo o aumento na atividade da indústria marítima no Brasil, principalmente com a contratação de navios de apoio marítimo e de petroleiros, além de estruturas para atender às atividades de exploração e produção de gás e petróleo offshore.

O professor explica que estudante formado pela UFRJ recebe inicialmente o título de engenheiro naval e oceânico, sem especialização específica, mas com formação bastante sólida que o habilita a atuar nas áreas de estruturas, hidrodinâmica, projeto, máquinas marítimas, construção naval e transportes aquaviários, engenharia submarina e de energias renováveis. Além disso, alunos fazem parte da formação em universidades estrangeiras que têm convênios com a brasileira.

Os formados em engenharia naval têm opção de se especializar em cursos de pós-graduação oferecidos pela Coppe-UFRJ, o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, que mantém um Programa de Engenharia Oceânica. De acordo com o professor Ulisses Monteiro, os egressos do curso de engenharia naval da UFRJ têm forte empregabilidade no mercado, em empresas públicas e privadas na área marítima e de petróleo em gás.

A preocupação com a qualificação de seus profissionais para atender ao aumento da demanda e a necessidade de especialização motiva também empresas da área de construção naval a investir em capacitação. É o caso, por exemplo, do Estaleiro Rio Maguari, de Belém, no Pará, que mantém um programa permanente de capacitação de pessoal nas áreas de projeto e produção. “Com a demanda por embarcações em alta, a busca por profissionais qualificados é grande e é necessário um programa permanente de capacitação”, explica Fábio Vasconcellos, diretor comercial da empresa.

A necessidade apontada por Vasconcellos é consequência do aumento da procura por novas embarcações e da expectativa de incremento em vários setores da construção naval, além das encomendas da Transpetro e da Petrobras. E um dos segmentos que têm mostrado recuperação de encomendas e de demanda de serviços de reparos é o de embarcações de navegação fluvial e de apoio portuário, no qual atua o Estaleiro Rio Maguari.

Segundo o diretor comercial, as demandas à empresa tanto para a construção como para reparo se mantiveram aquecidas em 2025, tanto nos mercados de navegação interior quanto no de embarcações usadas para apoio a manobras em portos. Vasconcellos explica que o Rio Maguari tem recebido com regularidade encomendas de comboios fluviais destinados ao transporte de minérios e de produtos do agronegócio, principalmente pelas hidrovias da Amazônia e pelas Hidrovia do Paraguai, além das de rebocadores portuários das principais operadoras do setor no mercado nacional.

Ele explicou que, nos últimos meses, as consultas ao estaleiro se mantêm aquecidas e em níveis considerados estáveis, o que cria a expectativa de manter e ampliar a produção. Vasconcellos informou que espera mais encomendas porque alguns dos projetos ainda dependem de aprovação de financiamento pelos agentes financeiros do Fundo da Marinha Mercante. Além disso, cita que há demanda reprimida aguardando o avanço de projetos importantes de infraestrutura, como o derrocamento do Pedral do Lourenço, no Rio Tocantins, e a Ferrogrão, que vai ligar o Centro-Oeste brasileiro ao Porto de Itaituba, no Pará. Nos dois casos, as obras estão atrasadas por causa de ações na Justiça alegando riscos ao meio ambiente, mas em relação ao Pedral da Lourenço já houve decisão judicial rejeitando as alegações e autorizando a retirada de rochas que hoje dificultam a navegação e o transporte de mercadorias nas estações secas, quando o nível do rio diminui.

O diretor do Rio Maguari prevê que a demanda por comboios fluviais e por embarcações de apoio portuário vai continuar aquecida, principalmente depois do derrocamento do Pedral do Lourenço e se a licitação da Ferrogrão for realizada em 2026 como o governo federal anunciou. “A demanda por comboios terá aumento significativo e milhares de novos empregos de qualidade serão gerados na indústria da Região Norte, a mais carente de projetos e empregos de qualidade”, assegura.

Fábio Vasconcellos explicou que para atender ao volume de encomendas que vem recebendo e a expectativa de aumento de procura, o Estaleiro Rio Maguari tem feito investimentos permanentes na sua infraestrutura de produção. Ele citou a construção de novos galpões, modernização e ampliação da capacidade de içamento de cargas e compra de novas máquinas de corte e de solda, além da capacitação de seus trabalhadores.

O diretor comercial prevê ainda que, além do derrocamento do Pedral do Lourenço e da Ferrogrão, a possibilidade de exploração de petróleo pela Petrobras e por outras empresas na Margem Equatorial vai mudar a realidade industrial e de empregabilidade de toda a Região Norte, incluindo o segmento de construção naval. Segundo Vasconcellos, a expectativa é de que os investimentos tragam benefícios, principalmente para a Região Norte, que tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país e que classificou como a mais sensível ambientalmente do Brasil. “Com o novo marco do licenciamento ambiental aprovado recentemente pelo Congresso, a expectativa é muito positiva para a concretização de novos projetos sustentáveis de infraestrutura, fundamentais para o desenvolvimento do Brasil e da Região Norte”, disse.

O baiano Estaleiro Belov, instalado na Baía de Aratu e especializado, entre outros serviços, na construção de embarcações de apoio portuário e costeiro, para navegação fluvial, para apoio offshore, estruturas metálicas e reparos e descomissionamento, é outro que tem recebido mais encomendas e consultas. O gerente do estaleiro, Guilherme Falcão, informou que há forte demanda de armadores de vários segmentos.

Segundo ele, o aumento do uso de hidrovias, como as do Arco Norte e a Paraná-Paraguai, tem acelerado os projetos para construções de barcaças e de empurradores, enquanto a maior procura das empresas que atuam na navegação costeira é por operações de bunker, ferry boats e rebocadores azimutais para apoio portuário. Além disso, explicou que há aumento na procura por embarcações de apoio marítimo e offshore, nos segmentos de óleo e gás, cabotagem e reboques oceânicos. “É um cenário dinâmico, repleto de oportunidades para estaleiros que investem em inovação”, disse.

O diretor de obras e serviços subaquáticos do Belov, Juracy Gesteira Vilas Bôas, explicou que, para atender ao aumento de demanda por embarcações especializadas, a empresa vem investindo na ampliação e modernização da infraestrutura do estaleiro. “Enquanto nos dedicávamos aos projetos e obras dessa modernização, grande parte do nosso foco esteve direcionado aos reparos de embarcações próprias e às docagens de embarcações de terceiros”.

A partir de 2026, após a melhoria da infraestrutura, explicou Vilas Bôas, a meta é conquistar projetos mais complexos. Por isso, o Belov se prepara para participar de licitações consideradas estratégicas e competir por oportunidades na nova fase de crescimento do setor. “A partir de 2026, estamos prontos para atender a um portfólio diversificado, que incluirá empurradores, rebocadores, embarcações de apoio offshore e balsas’, informou.

Ele afirmou que outro ponto forte do estaleiro é a experiência em conversão de embarcações em unidades especializadas e citou como exemplos a conversão de um navio em uma draga e de um PSV (Platform Supply Vessel) em um OTSV (Offshore Terminal Support Vessel). “Esse know-how técnico e especializado reforça nossa posição no mercado nacional”, disse.

Guilherme Falcão reafirma o otimismo, dizendo que as perspectivas para o segmento de embarcações de médio porte são promissoras, especialmente em razão do crescimento constante em todos os segmentos do mercado, principalmente o fluvial, o costeiro e o offshore. “Acreditamos que será um período de grandes oportunidades para todo o mercado, favorecendo estaleiros que priorizam a inovação e a construção de soluções alinhadas às necessidades de mercado”, explicou.

Juracy Gesteira Vilas Bôas informou ainda que o aquecimento identificado no setor já está se consolidando em resultados para o Estaleiro Belov e que a expectativa é de que a procura siga aumentando. Segundo ele, a empresa tem em andamento um projeto aprovado pelo Fundo da Marinha Mercante para a construção de empurradores, com expectativa de início das obras em breve.

Além disso, o estaleiro já tem em carteira e começará neste ano a construção de uma embarcação diesel-elétrica de apoio offshore, projetada para operações simultâneas de mergulho raso e com ROVs (Veículos Operados Remotamente). Segundo Vilas Bôas, a embarcação será equipada com o que há de mais avançado no mercado mundial e tem previsão de entrar em operação em 2027. “Esse DSV/RSV será o primeiro a operar na Petrobras como parte da geração de embarcações planejadas para atender às operações do futuro.”

O diretor de obras e serviços subaquáticos do Belov explicou que, como a empresa avalia que parte das embarcações de grande porte será construída em estaleiros dos quais armadores são acionistas, a projeção é de que empurradores para navegação fluvial e rebocadores portuários estarão no topo das suas próximas contratações. Ele também concorda que para acompanhar o crescimento do setor as empresas precisam investir em formação e qualificação de mão de obra.

Vilas Bôas disse que o Belov já conta com profissionais experientes e qualificados, muitos há mais de 20 anos no grupo, o que assegura excelência técnica em todas as etapas das operações, da engenharia ao processo produtivo. Mas investe em formação e qualificação de novos colaboradores, com programas de trainee e voltados a jovens aprendizes. “A contínua capacitação reflete diretamente na entrega de serviços e produtos, preparando a equipe para superar os desafios atuais e futuros do mercado naval”, afirmou.

Entre esses desafios, explica o gerente do Belov, Guilherme Falcão, está o atendimento a projetos que atendam às exigências de embarcações sustentáveis e mais eficientes. Nesse sentido, citou a construção para uma empresa do próprio grupo de duas embarcações de mergulho, que, segundo ele, são as primeiras diesel-elétricas do mundo com propulsão a hidrojato e sistema de posicionamento dinâmico.

Falcão garantiu que o estaleiro foi pioneiro mundial também no desenvolvimento de empurradores híbridos e que a empresa vai continuar investimento em tecnologias que atendam aos critérios globais de descarbonização. “Nosso compromisso é alinhar inovação tecnológica às tendências globais, reafirmando nossa responsabilidade com o meio ambiente e a sustentabilidade de longo prazo na economia do mar”, disse.

O CEO do Estaleiro Mauá, de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, Miro Arantes, também aposta no aquecimento do mercado de construção naval, principalmente por causa das encomendas anunciadas pela Petrobras e pela Transpetro em 2025. O pacote, que inclui navios de apoio offshore e navios-tanque, gaseiros, rebocadores e barcaças, vai gerar oportunidades para todos os estaleiros nacionais, aposta ele, que lembra que para 2026 estão previstos novos anúncios das empresas.

Arantes explicou que atualmente o Mauá tem em carteira serviços de reparo naval, para construção de estruturas metálicas, port call, e de suporte a operações offshore. E há expectativa de em 2026 receber novas construções. Ele adiantou que empresa está negociando com potenciais clientes a possibilidade de construção de embarcações de médio porte, entre PSVs e navios para bunker. “Nosso faturamento na área de reparos aumentou no último ano na casa de 20%”, informou.

O CEO avalia que atender a demanda prevista será um desafio para os estaleiros, pois, segundo ele, quase todos viveram anos praticamente sem atividades, o que levou à perda de mão de obra especializada e de parte do conhecimento adquirido nos anos antes da crise. Ele disse que é preciso recompor as carteiras de encomendas para voltar a formar e treinar equipes.

Arantes afirmou ainda que, nos anos que antecederam a crise na indústria naval brasileira, a curva de aprendizado no país tinha evoluído muito, ficando perto dos índices de produtividade dos coreanos. Mas ressaltou que, para recuperar o patamar alcançado e ser competitivo, o setor de construção naval do Brasil dependerá da regularidade de encomendas, de previsibilidade de custos e de investimentos tanto na melhoria de sua infraestrutura como no treinamento de pessoal.

Além disso, citou a necessidade de modernização para acompanhar a evolução tecnológica e as exigências de descarbonização e critérios de sustentabilidade nas novas embarcações. Ele destacou que os novos projetos exigem motores com combustíveis menos poluentes e que a cada ano cresce a expectativa de desenvolver uma indústria menos danosa ao meio ambiente.

Com a expectativa de aumento das encomendas, o Estaleiro Mauá investe também na qualificação de pessoal, porque já identifica falta de mão de obra especializada. O estaleiro reabriu sua escola de solda e voltou a treinar os profissionais. Segundo Arantes, o foco atual é preparar os trabalhadores para atender às demandas principalmente na área de fabricação de estruturas metálicas offshore. “Temos um efetivo de 270 pessoas dedicadas a esse segmento”, informou.

O CEO prevê também o recebimento de encomendas para a construção de embarcações de médio porte, de estruturas metálicas para operações offshore e de módulos para FPSO. Por isso, o Estaleiro Mauá investiu em 2025 na reforma de suas instalações, incluindo a subestação elétrica e as oficinas, e modernização dos equipamentos, com a compra de guindastes, pontes rolantes, 100 máquinas de solda e softwares de planejamento.

No Sul do país, em Navegantes, em Santa Catarina, a Indústria Naval Catarinense (INC) também confirma o aumento das consultas e das encomendas. Josuan Moraes Neto, coordenador administrativo-financeiro do estaleiro, explica que o mercado de embarcações de serviço e de médio porte, como ferry-boats, barcaças bunkers, balsas de carga geral, balsas para contêineres, embarcações de serviços, empurradores, rebocadores, catamarãs de passageiros e flutuantes, segmento em que atua a companhia, tem se mostrado promissor.

Ele credita esse movimento ao aumento das operações portuárias e à maior movimentação de cargas pela navegação interior, que têm levado as empresas desses setores a desenvolver novos projetos e buscar a renovação de frotas com embarcações mais eficientes, com melhor desempenho operacional e menor custo de manutenção. “Para os estaleiros, isso significa oportunidades reais”, disse.

Para ele, a maior competitividade no setor está obrigando as empresas de construção, para se adaptar aos projetos e atender às necessidades do cliente, a otimizar o uso de materiais, investir em qualificação da mão de obra e adotar tecnologias que reduzam retrabalho e aumentem a produtividade. “A gestão nos estaleiros tem evoluído rapidamente. Planejamento integrado e controle rigoroso de prazos e custos são fatores determinantes para o desempenho do estaleiro”, explica.

Moraes Neto informou que em 2025 o Estaleiro INC percebeu aquecimento significativo do mercado, com mais consultas e projetos contratados para a construção de novas embarcações, impulsionados pela necessidade de renovação de frotas em diversos estados brasileiros. E que isso é identificado em relação a diversos tipos de barcos e estruturas.

Segundo ele, o Estaleiro INC mantém carteira diversificada de projetos e serviços, porque cresce a busca por embarcações de diferentes perfis e informa que entre as construções em andamento no estaleiro catarinense destacam-se duas barcaças de carga geral, um graneleiro e uma embarcação de serviço dedicada a transporte de resíduo oleoso. Além disso, explica, vem avançando com estudos e orçamentos já aprovados pelo Fundo da Marinha Mercante para empurradores, rebocadores, barcaças para transporte de contêineres, ferry boats e um dique flutuante.

Moraes Neto avalia que há demanda reprimida no setor naval da Região Sul por serviços de docagem de embarcações com sistemas de propulsão azimutal. Segundo ele, isso acontece porque esse tipo de propulsor exige infraestrutura específica que hoje é limitada nos estaleiros da região, o que gera filas de espera e restrições operacionais para armadores e operadores logísticos.

Por isso, informa, a INC está desenvolvendo o projeto de um dique flutuante capaz de atender a essa demanda reprimida, oferecendo capacidade de docagem adequada às necessidades técnicas das embarcações com propulsão azimutal. “O novo ativo ampliará significativamente a disponibilidade regional de manutenção e reparos para embarcações dotadas de propulsores azimutais”, assegura.

De acordo com ele, há necessidade também de investimentos em tecnologia para atender novos requisitos do mercado, porque os armadores vêm buscando cada vez mais soluções tecnológicas que permitam atender às novas exigências de descarbonização e aos critérios de sustentabilidade, com uso de sistemas híbridos de propulsão e de tecnologias renováveis embarcadas. Isso é notado, por exemplo, em encomendas de embarcações para manobras e atracações.

De acordo com o empresário, entre as alternativas mais buscadas estão as baterias de alta capacidade, que reduzem o consumo de combustíveis fósseis e possibilitam operações com emissões quase nulas. Moraes Neto explica que a busca pela descarbonização tem determinado também a instalação de módulos fotovoltaicos que aproveitam áreas disponíveis da embarcação para geração complementar de energia elétrica. “Os armadores buscam alinhar suas frotas aos novos padrões globais de sustentabilidade, aumentando a eficiência energética e reduzindo custos ao longo do ciclo de vida das embarcações”, explica.

O coordenador administrativo-financeiro da INC é outro que aponta a capacitação e o treinamento do pessoal como necessários e fundamentais para competir no mercado, que é cada vez mais exigente de incorporação de novas tecnologias. “A complexidade crescente dos projetos e a adoção de novas tecnologias exigem equipes mais qualificadas, tanto na engenharia quanto na produção”, assegura.

Ele informou que, por isso, o Estaleiro INC tem investido em treinamentos internos de atualização e qualificação para as atividades de soldagem, montagem, pintura, qualidade e segurança operacional. Segundo ele, o aperfeiçoamento técnico da mão de obra garante ainda melhorias na produtividade, redução de retrabalho e redução de prazos de entrega. “Isso fortalece a capacidade de entregar embarcações cada vez mais eficientes e confiáveis”, avalia.

Esse movimento é resultado da percepção de que será crescente a demanda por capacitação de profissionais nos segmentos em que a INC atua, com projetos que incorporam tecnologias mais eficientes. Por isso, explica Moraes Neto, o estaleiro, além de programas de treinamento interno, vem fazendo parcerias com instituições para aprimoramento da mão de obra. “Esse movimento não só atende às necessidades atuais, como prepara a empresa para sustentar o crescimento da demanda nos próximos anos”, informa.

Na avaliação do diretor do Estaleiro INC, um dos principais desafios para viabilizar novos projetos nos próximos anos será justamente a disponibilidade de mão de obra qualificada, porque a indústria naval demanda profissionais especializados em soldagem, caldeiraria, pintura e áreas técnicas específicas. E a oferta desses profissionais ainda é limitada. “A formação e retenção de equipes qualificadas serão fatores determinantes para garantir produtividade, competitividade e o cumprimento de prazos em projetos de maior complexidade”, disse Moraes Neto.

Por isso, informou, a empresa investe também na infraestrutura e em equipamentos e processos para atender às exigências de modernização e de aumento de produtividade. O empresário citou, entre as melhorias recentes, a ampliação da área coberta, para melhorar as condições para construção, montagem e controle de qualidade, uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), uma nova subestação de energia elétrica e uma rede subterrânea de gases industriais (GLP, CO₂ e oxigênio), além de uma área administrativa operacional e da modernização da área de lançamento das embarcações.

Ele informou ainda que o estaleiro reforçou sua capacidade de produção com a compra de calandra, dobradeira, guindaste, caminhão munck, manipulador telescópico, plataforma articulada e um pórtico com capacidade para 50 toneladas. Segundo Moraes Neto, o foco é aumentar as possibilidades de competir no mercado e atender a projetos cada vez mais exigentes e ao crescimento esperado das encomendas.

Fonte: Portos e  Navios – Nelson Moreira